Delegado da PF detido por furto no Recife já livrou Flávio Bolsonaro de investigação, em 2020

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Quando os seguranças do supermercado Palato do shopping RioMar, na última quarta-feira (8), abordaram aquele cliente que tentava sair com uma iguaria no bolso, não imaginavam de quem se tratava. Erick Blatt é delegado da Polícia Federal desde 2006, lotado no Recife (PE), mas atuava no Rio de Janeiro em 2020, quando foi o responsável por conduzir uma investigação referente às suspeitas de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica (mentir ou omitir dados em prestação de contas a órgãos públicos) que recaía sobre o senador Flávio Bolsonaro, hoje pré-candidato a presidente da República. O delegado Blatt não viu indícios de crime.

O inquérito contra Flávio Bolsonaro teve origem numa notícia-crime apresentada pelo advogado e procurador Eliezer Gomes da Silva, a partir de informações apuradas pelo jornal Folha de S. Paulo, mostrando a evolução patrimonial da família Bolsonaro. A denúncia destacava que Flávio declarou um mesmo imóvel com valores díspares em 2014 e 2016 e um patrimônio que quase dobrou em poucos anos. O filho “zero-um” do ex-presidente era suspeito de ocultação de patrimônio à Justiça Eleitoral em 2018 e o envolvimento em organização criminosa, com possível lavagem de dinheiro. Flávio teria negociado 19 imóveis em 13 anos, de 2005 a 2018.

A reportagem da Folha mostrava que em 2008 a família possuía, em conjunto, bens no valor de R$ 1 milhão, sendo três imóveis. Em 2018 já eram 13 imóveis, que somados tinham valor de R$ 15 milhões. As negociações envolvendo os imóveis da família também motivaram relatórios do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf), órgão do Ministério da Fazenda, que serviriam de base para a denúncia do caso das “rachadinhas” por parte do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), suposto esquema que também envolvia uma loja de chocolates em nome de Flávio. Os recursos, segundo a denúncia, eram usados para a compra de imóveis.

No caso das “rachadinhas”, denunciado pelo MP, as investigações resultaram na condenação de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio. Ele assumiu a culpa pelo esquema e negou que algum dos Bolsonaro soubesse do crime.

Já na investigação conduzida pelo delegado Erick Blatt, a PF não encontrou indícios de falseamento nos valores dos imóveis, não considerando o caso suspeito de falsidade ideológica ou lavagem de dinheiro. Segundo apurou O Globo, na ocasião, a PF encerrou o caso sem quebrar os sigilos fiscal ou bancário do senador Flávio Bolsonaro.

A investigação conduzida pela PF se deu sob forte pressão política. A investigação começou na Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, o procurador decidiu encerrar a investigação e arquivar o caso sem ter realizado qualquer diligência. Mas o Ministério Público Federal (MPF) vetou o arquivamento e pediu uma investigação mais rigorosa. O caso foi enviado para a Polícia Federal, que ainda estava sob o comando do então ministro Sérgio Moro, hoje senador. No colo do delegado Erick Blatt, a investigação sobre Flávio levou o então presidente Jair Bolsonaro a trocar o comando da PF no Rio de Janeiro e ameaçou trocar o diretor-geral do órgão.

O suposto furto

Flagrado por câmeras de segurança, na última quarta-feira (8), Erick Blatt teria pego uma iguaria que, segundo apurou o G1 junto ao supermercado Palato, teria o valor de R$ 300. Ele coloca o item no carrinho de compras e em determinado momento coloca o item no bolso. Ele passa as demais compras no caixa do supermercado e, na saída, é parado pelos seguranças e reconduzido ao mercado, na zona sul do Recife. Em seguida foi conduzido à delegacia de Boa Viagem e o caso está sendo investigado como “furto em estabelecimento comercial”. Blatt não está preso.

Em nota, a Polícia Federal afirma ter instaurado procedimento disciplinar, através da corregedoria do órgão, para apurar rigorosamente o ocorrido.

Ó Brasil de Fato tentou contato com a defesa de Erick Blatt, mas até o momento não tivemos retorno. Caso a defesa do delegado entre em contato conosco, atualizaremos este texto.

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