Deolane fez BO sobre uso de dados 2 dias após ter transações investigadas

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O inquérito policial que investiga o possível elo de Deolane Bezerra com o PCC (Primeiro Comando do Capital) aponta que, em 2022, ela registrou um boletim de ocorrência alegando que seus dados tinham sido usados para a realização de movimentações bancárias dois dias após a polícia encontrar depósitos suspeitos na conta da influenciadora.

De acordo com o relatório, em março daquele ano, investigadores analisaram dispositivos eletrônicos durante a condução da Operação Lado a Lado que identificou movimentações financeiras incompatíveis e crescimento patrimonial sem justificativa econômica suficiente da transportadora fantasma — e descobriram, no armazenamento de um dos aparelhos, comprovantes de depósito direcionados à conta bancária de Deolane.

A operação citada apurava condutas de integrantes da facção criminosa e, a partir das análises e dados juntados nos autos, identificou estreito vínculo da influenciadora com os investigados. Ainda conforme o relatório, Deolane teria sido “certamente avisada sobre aqueles levantamentos investigativos realizados ao longo daquele processo”.

O inquérito indica ainda que, se os valores recebidos fossem, de fato, provenientes da prestação de serviços advocatícios, não haveria necessidade de alertas prévios nem de tentativas de Deolane em “mascarar” as transações financeiras.

Além disso, a quebra de sigilo bancário comprovou, segundo a polícia, que as contas em questão eram efetivamente movimentadas por sua titular, Deolane.

Dois dias após a constatação dos investigadores, a influenciadora registrou a denúncia sob a narrativa de estar sendo alvo de um golpe. UM CNN Brasil teve acesso ao boletim de ocorrência.

Leia a queixa abaixo:

“Venho informar que estão meus dados pessoais, inclusive montaram um documento falso com os meus dados e estão abrindo contas em bancos, e em finaceiras bancárias. Tive conhecimento pois fui abrir uma conta e o banco me informou que eu já tinha cadastro lá, inclusive não consegui acessar pois alguns dados eram divergentes.

Outro banco entrou em contato com a minha assessoria e nos informou que tinha alguém tentando abrir uma conta lá também, e como sou uma pessoa da mídia, eles reconheceram e bloquearam o cadastro, e assim me encaminharam a foto de quem supostamente está tentando se passar por mim.”

O relatório policial indica diversas transações e depósitos milionários no nome de Deolane, além de um vínculo com Everton de Souza, conhecido pelo vulgo “Player”. “Percebeu-se, por meio de dados bancários que ela transacionou diversas quantias com pessoas (intermediários) que também transacionaram valores com Everton ou com suas empresas”, diz o relatório.

De acordo com a polícia, foram 34 intermediários ao todo.

Análises realizadas pela investigação ainda alegam que a advogada teria valores superiores ao que era informado, “evidenciando a incoerência entre o movimentado em conta corrente e o declarado em sede do imposto de renda”.

UM CNN Brasil entrou em contato com a defesa de Deolane e aguarda retorno. O espaço segue aberto.

Possível participação de Deolane em esquema

Deolane Bezerraadvogada e influenciadora digital com mais de 20 milhões de seguidores nas redes sociais, foi presa na manhã desta quinta-feira (21)durante a Operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo.

De acordo com as investigações, a mulher teria envolvimento com a principal facção criminosa do país, o PCC (Primeiro Comando do Capital). A influenciadora é suspeita de ocupar uma posição de destaque em um esquema de lavagem de capitais, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras.

A operação mira, ainda, Marco Herbas Camacho (Marcola), que já está preso; Alejandro Camacho, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, irmão e sobrinhos do líder da facção, respectivamente; além de Everton de Souza, vulgo “Player”.

Apurações apontaram que Deolane tinha vínculos estreitos – pessoais e negociais – com um dos gestores fantasmas da transportadora investigada pelas autoridades.

UM influenciadora, de acordo com a polícia, passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando do PCC.

Os levantamentos mostraram ainda o uso de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão.

Para os investigadores, a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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