A deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS) assume, nesta terça-feira (24), a coordenação adjunta da Bancada Gaúcha no Congresso Nacional. A nova função amplia a responsabilidade da parlamentar na articulação política do Rio Grande do Sul junto ao governo federal e às demais forças representadas na Câmara dos Deputados e no Senado.
A Bancada Gaúcha reúne deputados e senadores eleitos pelo estado e atua de forma suprapartidária na defesa de pautas consideradas estratégicas para o território gaúcho. Em 2024 e 2025, o foco central da atuação coletiva tem sido a busca por recursos e medidas emergenciais diante dos impactos das enchentes e eventos climáticos extremos que atingiram dezenas de municípios, provocando prejuízos bilionários, destruição de infraestrutura urbana e rural e deslocamento de milhares de famílias.
A coordenação da bancada está sob responsabilidade do deputado federal Afonso Hamm (Progressistas-RS), que conduz os trabalhos de articulação entre parlamentares, governo federal e lideranças regionais. A coordenação adjunta passa a dividir a tarefa de organização das agendas prioritárias, interlocução institucional e acompanhamento da execução orçamentária.
Reconstrução e recursos federais
Desde as enchentes que atingiram o estado, a bancada tem priorizado a tramitação de medidas provisórias, projetos de lei e emendas orçamentárias voltadas à reconstrução de moradias, recuperação de rodovias, apoio à agricultura familiar e linhas de crédito para pequenos e médios produtores. Dados oficiais do governo federal indicam que bilhões de reais foram autorizados para ações emergenciais e estruturantes no estado, incluindo recursos extraordinários para saúde, assistência social e infraestrutura.
A nova coordenação adjunta deverá atuar na pressão pela liberação efetiva desses valores, já autorizados, mas que dependem de trâmites administrativos e projetos executivos para chegarem aos municípios. Segundo Daiana Santos, a prioridade será garantir que as cidades mais afetadas tenham acesso rápido aos investimentos e não enfrentem entraves burocráticos que retardem a reconstrução.
Em declaração pública, a deputada afirmou que os municípios poderão contar com a bancada para “lutar por recursos, destravar investimentos e defender, com unidade, os interesses do Rio Grande do Sul em Brasília”. Ela também disse que o gabinete estará aberto ao diálogo com prefeitos, prefeitas, vereadores e vereadoras, com o objetivo de acompanhar demandas locais e intermediar soluções junto aos ministérios.
Articulação suprapartidária
A Bancada Gaúcha é formada por parlamentares de diferentes partidos, com posições políticas diversas. Apesar das divergências em temas nacionais, o grupo costuma atuar de maneira conjunta quando se trata de pautas consideradas prioritárias para o estado. A coordenação busca construir consensos mínimos para fortalecer a capacidade de negociação com o Executivo federal.
O deputado Afonso Hamm, atual coordenador, tem destacado em manifestações públicas a importância da união entre os parlamentares para ampliar o peso político do Rio Grande do Sul no Congresso. Segundo ele, a articulação conjunta permite maior capacidade de diálogo com os ministérios e com a liderança do governo, especialmente em momentos de crise.
Parlamentares da oposição ao governo federal também integram a bancada e defendem que a atuação deve ser técnica e focada em resultados concretos para a população, independentemente de disputas partidárias. Já deputados alinhados ao Palácio do Planalto argumentam que a interlocução institucional facilita a construção de soluções mais ágeis.
Setores estratégicos e desenvolvimento
Além da pauta emergencial relacionada aos desastres climáticos, a Bancada Gaúcha acompanha temas estruturais ligados à agropecuária, à indústria, à infraestrutura logística e ao desenvolvimento regional. O Rio Grande do Sul é um dos principais produtores de grãos do país e possui cadeias industriais relevantes nos setores metalmecânico, calçadista e de alimentos.
Entidades empresariais têm defendido maior previsibilidade de crédito, investimentos em rodovias e portos e políticas de estímulo à competitividade. Movimentos sociais e organizações da sociedade civil, por sua vez, cobram prioridade para moradia popular, recomposição ambiental e fortalecimento do Sistema Único de Saúde nas regiões mais atingidas.
Nesse contexto, a coordenação adjunta terá papel na organização das prioridades da bancada para a Lei Orçamentária Anual e para a destinação de emendas parlamentares, instrumento utilizado pelos deputados para indicar recursos a projetos específicos nos estados.

