A derrubada dos vetos dados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Projeto de Lei (PL) da Dosimetria, no dia seguinte à rejeição pelo Senado do nome de Jorge Messias para compor o Supremo Tribunal Federal (STF), é um “cheque em branco para golpistas”.
Essa é a avaliação do cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) Paulo Niccoli Ramirez, que, em sua coluna no Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fatodestacou também que esse é um dos momentos mais “infelizes da história do Brasil”.
“É um golpe institucional contra a democracia e um convite para que novos grupos derrotados em próximas eleições tenham a maior vontade de fazer novas tentativas de golpe. E simplesmente para que houvesse a preservação de interesses políticos e econômicos de uma elite que comanda o país.”
O PT afirma que vai judicializar a decisão do Congresso. Na avaliação de Ramirez, a decisão é correta. “Seria mais um voto contra esse tipo de anistia, ou melhor dizendo, um golpe. Golpes preparados para o futuro caso o Lula seja eleito. É um dia vergonhoso para a política brasileira”, critica.
Ramirez também comentou a manobra do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de desmembrar o veto. “Messias foi recusado ontem para preparar terreno para hoje. É um acordo nos corredores palacianos para que Alcolumbre viabilize sua candidatura à reeleição no Senado e, ao mesmo tempo, tente silenciar qualquer tentativa de abertura do caso Master. Ou seja, entre todos esses grupos conservadores, houve um acordão”, aponta.
“A gente tem visto uma política oligarca, lembrando que oligarquia vem do grego oligos, que significa ‘poucos e ricos’. O Congresso, que deveria ser a casa do povo, acaba sendo uma corja de políticos que agem por interesse próprio”, afirma Ramirez, que lembra que, até o momento, não houve por parte do Senado qualquer justificativa para a recusa do nome de Messias. “A ideia central é prejudicar o governo Lula. O objetivo é eleger Flávio Bolsonaro (PL) e sabotar a democracia brasileira.”
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