As consequências do desmatamento e da mineração estão entre as principais preocupações dos povos indígenas reunidos em Brasília para o Acampamento Terra Livre (ATL). Ao longo desta segunda-feira (6), delegações de todo o país chegaram no Eixo Cultural Ibero-Americano (antiga Funarte), no centro da capital federal, para a mobilização organizada pela Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
A escuta inicial das delegações teve como foco discutir pautas legislativas que ameaçam a demarcação e proteção de territórios indígenas em diversas regiões do país, e denunciar os grandes empreendimentos do agronegócio e de mineração que ameaçam terras indígenas.
A atividade reuniu Voninho Kaiowá, representante da organização Aty Guasu; Marilda Lvrio de Oliveira, da Comissão Guarani Yvyrupa (CGY); Tenondeguá da Articulação dos povos indígenas da região Sudeste (Arpinsudeste); Tayse, da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme); Alcebias Mota Constantino, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e Jagueline Kuita Kaingang, da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpinsul).
Entre as demandas, Tenondeguá, representante da região Sudeste, enfatizou a importância da mobilização política para a agenda indígena ser representada desde os municípios até o Congresso Nacional.
“Somos muitos votos. Mas e aí? Será que a gente não consegue eleger um parente nosso ali dentro da prefeitura, um parente nosso dentro do Congresso? A gente tem essa força, mas o que falta para nós é a união de todos os povos”, questionou.
Diversidade de povos e culturas
Na sua 22ª edição, o ATL espera receber cerca de 7 mil indígenas e não indígenas, além de representantes dos 391 povos originários do Brasil. Com o tema “Nosso futuro não está à venda: A resposta somos nós”, as atividades seguem até o próximo sábado (11).
Durante a abertura nesta segunda (6), houve a leitura da carta de abertura de mobilização, no qual reafirmou-se o papel da mobilização como um momento de união e visibilidade de povos originários.
“O Brasil tem povos indígenas em todas as regiões e biomas do país. Representamos uma diversidade de povos e culturas, com nossas formas próprias de organização social, que existe antes mesmo da criação do Estado nacional brasileiro”, diz um trecho.
A carta também destacou a demarcação de Terras Indígenas (TI), um dos principais temas da mobilização. “Temos a convicção de que, sem a demarcação e a proteção das terras e territórios indígenas, não se pode falar de um país democrático e soberano.”
Considerada a maior mobilização indígena do país, o ATL promove discussões em relação à demarcação de territórios e denuncia violações sofridas por povos indígenas no Brasil. O debate também pauta eleições e participação na política. A mobilização marca o início do abril indígena, mês dedicado à visibilidade da luta dos povos indígenas por direitos.
Impacto da mineração
Neste primeiro dia de ATL, também estiveram em pauta as consequências dos grandes empreendimentos voltados à mineração em territórios indígenas. “Esse problema não é trazido pelo nosso povo, é pelo não indígena, é pela invasão do nosso território, pela mineração na nossa terra, pela poluição do nosso ar e cada vez está mais difícil. Antes a gente podia pescar, hoje nós não conseguimos, é difícil”, afirmou Tenondeguá.
Marilda Lvrio, representante da CGY, abordou que o desmatamento de terras também é um problema enfrentado pela Comissão Guarani Yvyrupa. “Desde o momento que eles botam grandes empresas para contaminar o ar, o rio, o solo é o direito de vida que estão tirando dos nossos netos. No Espírito Santo, hoje nós não podemos pegar um marisco, nós não podemos comer peixe, não podemos nem tomar um banho no mar, nem no rio”, disse.
A representante também lembrou os desastres ambientais, como o da Samarco, em Mariana (MG), de 2015, com consequências no território até os dias de hoje. “As raízes que nós plantamos vêm contaminadas. Porque desde o crime ambiental da barragem de Mariana, contaminou toda a bacia pesqueira. Não só isso, também dentro da nossa aldeia passa o gasoduto”.
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