Há exatos dez anos, a Câmara dos Deputados aprovava a abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, eleita democraticamente em 2014. Na sessão, marcada por uma fala repugnante do então deputado federal Jair Bolsonaro, 367 parlamentares votaram a favor da abertura do processo de impeachment e 137 dos parlamentares votaram contra, classificando o pedido de afastamento como golpe contra primeira mulher a presidir o país.
Em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fatoo ex-deputado federal pelo Psol Ivan Valente lembra o dia da votação, da qual participou, e destaca o caráter golpista de todo o processo, já que Dilma não havia cometido nenhum crime. “Um dia que entrou para história como mais um ataque à democracia brasileira, produzida por uma elite podre econômica, por uma mídia que faz o jogo da manipulação e da enganação. Foi uma grande fraude e um golpe institucional praticado naquela ocasião”, define.
Valente destaca que o grande fiador da farsa contra Dilma foi Eduardo Cunha, que, ao jornal O Tempo, nesta quinta-feira (16), chegou a se gabar de que foi o ato foi fundamental para o fortalecimento da extrema direita brasileira. “Ele falou com essas palavras: ‘Se eu não tivesse feito impeachment, ou seja, puxado o impeachment, não teria existido Bolsonaro presidente da República’”, relatou.
O ex-parlamentar também faz questão de não deixar toda a responsabilidade em cima de Cunha e menciona outros autores importantes para a construção narrativa anterior, que pavimentaria o caminho para o golpe: o questionamento das eleições em que Dilma foi reeleita. “O PSDB, que hoje é um partido morto, é o principal responsável por não reconhecer as urnas e passar conspirar junto com a direita e a extrema direita num golpe articulado com o Centrão, sob a justificativa que o país estava com problemas econômicos que eles mesmos criavam com as pautas-bomba”, afirma.
Valente lembra que a sessão, que ele definiu como “insana”, ficou marcada pela fala do então deputado federal Jair Bolsonaro, que viria a ser presidente, dois anos depois. E critica a falta de cobertura da mídia em geral sobre os dez anos do golpe. “Bolsonaro elogiou o maior assassino torturador da ditadura e ainda se referindo à presidenta Dilma, que foi torturada por esses bandidos. Veja onde nós chegamos. A partir daí, foi o estímulo à intolerância, ao ódio, a polarização política que levou o fascista Bolsonaro ao poder e ao crescimento de uma extrema direita que já estava articulada em redes sociais e assim por diante. Por isso, nós devemos relembrar sempre como um golpe institucional”, conclui.

