O emblemático dia 17 de abril marca o massacre de Eldorado do Carajás, quando, há 30 anos, 21 trabalhadores foram assassinados em local conhecido como curva do S. Por causa desse trágico episódio, a data também passou a ser o Dia Nacional pela Reforma Agrária como um marco de memória e luta pela terra. Nesta sexta-feira (17), mais de 5 mil pessoas estiveram presentes no local onde aconteceu o massacre para participar da Marcha Nacional pela Reforma Agrária, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Ayala Ferreira, da direção nacional do MST, explica ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fatoque a mobilização é em memória dos que tombaram, mas também um momento de reafirmar o compromisso com a luta pela reforma agrária.
“É o resultado de uma violência do Estado brasileiro aliado do latifúndio que levou à execução de 19 companheiros (duas pessoas morreram posteriormente), deixou mais de 60 pessoas feridas, com mutilações diversas, centenas de companheiros que ficaram traumatizados”, declara.
Para ela, o massacre marca pela perversidade, a crueldade e a extrema violência que foi usada contra uma manifestação pacífica organizada pelo MST. “E não é só o latifúndio. É o latifúndio que foi aliado ao governo do estado, às empresas mineradoras. Enfim, é o interesse do capital”, frisa.
Ferreira destaca que, passados 30 anos, o crime segue com lacunas de impunidade, já que apenas duas pessoas que executaram as mortes foram condenadas. “Quem deu ordem para o que foi feito? Só dois executores foram condenados e ainda tiveram o direito de cumprir pena em casa. Os registros de armas usadas pelos policiais aquele dia sumiram. Os corpos dos companheiros que tombaram foram retirados do cenário do massacre. Foram sucessivos acontecimentos que favoreceram essa impunidade. Nenhum dos que estiveram diretamente envolvidos foram responsabilizados”, critica.
Além de reafirmar os compromissos com a reforma agrária, Ferreira também cobra responsabilização do Estado pelo episódio. “Há omissão do Estado brasileiro sobretudo com os mutilados de Eldorado do Carajás, que sofrem as consequências de golpes de facão que foram usados pela polícia para ferir os manifestantes, que estão inviabilizados. As pensões para viúvas e órfãos daquele fatídico 17 de abril”, relata.
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