Diocese de Osório vai receber a 49ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul

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O anúncio da sede da próxima edição marcou o ato de encerramento da 48ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul, realizada nesta terça-feira (17) no Santuário do Caaró, em Caibaté, na região das Missões. A 49ª Romaria será realizada na terça-feira de Carnaval de 2027, na Diocese de Osório, no Litoral Norte do RS.

A divulgação ocorreu após a missa de encerramento da jornada de fé e resistência que reuniu romeiros, movimentos populares e lideranças religiosas de todo o estado em torno da defesa dos direitos da Mãe Terra e da memória histórica dos povos indígenas, quilombolas e camponeses. A edição deste ano teve como tema dos 400 anos de evangelização missioneira.

Presente na romaria, o bispo da Diocese de Osório, Dom Jaime Pedro Kohl, manifestou receptividade para a celebração do próximo ano. “É uma alegria para nós acolher mais uma edição da Romaria da Terra”, afirmou. Ele destacou o crescimento da celebração ao longo dos anos e parabenizou a Diocese de Santo Ângelo pela organização da edição atual.

“Esperamos copiar alguma coisa, valorizar a caminhada, o trabalho feito, essa bela carta de compromisso. E venha conosco próximo ano dia de Carnaval. Lá vai ser mais fresquinho um pouco. Vai ter aquela brisa suave do mar”, convidou.

Uma carta de denúncia e compromisso

Na sequência do ato, foi lida a carta da 48ª Romaria da Terra. O documento reafirma o caráter espiritual e político do encontro e denuncia injustiças históricas que seguem atingindo povos indígenasquilombolas e comunidades camponesas. “Não há reconciliação sem verdade; não há paz sem reparação!”, afirma trecho do texto, que retoma o brado de Sepé Tiaraju como símbolo de resistência à concentração fundiária: “Alto lá! Essa Terra tem dono!”.

Indígenas marcaram presença da Romaria da Terra
Indígenas marcaram presença da Romaria da Terra | Crédito: Katia Marko

A carta critica os chamados “empreendimentos de morte”, como “o agronegócio predatório, os monocultivos envenenados, as fábricas de celulose, a mineração e demais projetos que devastam territórios, rios, lagos, florestas e comunidades”. Reafirma a necessidade da “um mundo onde haja a efetiva partilha do pão e da justiça”, através da reforma agrária, da agroecologia, do reflorestamento com espécies nativas, da proteção das águas e da defesa da democracia.

Destaca a necessidade de “inserir o espírito da Romaria na vida das comunidades, paróquias e escolas, elaborando subsídios celebrativos e formativos que mantenham viva a temática da terra ao longo do ano.” Defende o fortalecimento de organizações populares, movimentos sociais e economias solidárias e a articulação de redes de cooperação entre o campo e a cidade.

Também assume compromissos com a “memória histórica”, para promover “celebrações, escutas e iniciativas que reconheçam oficialmente as violências cometidas historicamente contra os povos originários”. Recorda de Frei Sérgio Antônio Görgen, que faleceu recentemente: “Frei Sérgio foi semente lançada na terra fértil das lutas populares. Semente que não morre: germina, floresce e permanece viva na caminhada do povo”.

Vozes contra o feminicídio

O enfrentamento ao feminicídio ganhou destaque no encerramento. Mulheres de diferentes movimentos e pastorais subiram ao palco e, após cada fala, os romeiros respondiam em coro: “não ao feminicídio!”.

Entre elas, Jacira Teresinha Dias Ruiz, da coordenação colegiada da Cáritas Brasileira Regional RS, declarou: “a Cáritas e as mulheres das pastorais sociais queremos todas as mulheres vivas e com vida digna, por isso não ao machismo, não ao patriarcado não ao feminicídio”.

Rosa Job, coordenadora estadual e nacional do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), reforçou: “basta de violência contra as mulheres”.

Sementes e memória no envio final

Companheiros de militância do frei Sérgio seguraram hábito que era usado pelo religioso durante homenagem

No gesto final de envio missionário, Andrei Thomaz Oss-Emer, agente da Comissão Pastoral da Terra no RS, pediu que os participantes segurassem mudas de árvores nas mãos. “Durante essa benção, durante esse envio a gente pede que cada um segure suas mudas na mão, elas são as bandeiras que vamos semear, plantar, na mãe e irmã terra”, afirmou.

Com as mudas erguidas, romeiros e romeiras prestaram homenagens ao frei Sérgio, idealizador da realização da romaria no território missioneiro. Em uníssono, repetiram: “frei Sérgio presente, frei Sérgio semente!”, encerrando a edição deste ano com memória, denúncia e compromisso de continuidade das lutas.

Confira aqui a carta da 48ª Romaria da Terra.

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