Diplomatas brasileiros consideram que o momento atual é delicado para um encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trumpdevido ao contexto dos recentes ataques dos Estados Unidos ao Irã. É o que explicou a analista de política da CNN Isabel Mega durante o Live CNN desta terça-feira (3).
“A imagem de Lula ao lado de Trump neste momento poderia ser interpretada como um endosso às ações americanas no Oriente Médio”, explicou Mega de acordo com apurações com a diplomacia brasileira.
Ainda não há uma data definida para o encontro, que é aguardado pelo Palácio do Planalto para a segunda quinzena de março. A definição da agenda fica a cargo dos Estados Unidos, como país anfitrião, e o silêncio sobre a data pode até ser considerado positivo por alguns diplomatas, considerando o atual cenário internacional.
A especialista explica que o Brasil tem posicionamentos diplomáticos bem definidos em relação ao Irã e se opõe aos ataques realizados pelos Estados Unidos, enxergando-os como claras violações à carta da ONU. Nesse contexto, uma reunião entre os dois presidentes exigiria um cuidadoso cálculo político por parte do governo brasileiro.
Silêncio diplomático e suas interpretações
Um aspecto importante destacado por especialista, segundo Mega, é que mesmo o silêncio na diplomacia carrega mensagens. Caso o presidente brasileiro se encontre com Trump e não mencione a situação no Oriente Médio, isso poderia ser interpretado como uma aceitação tácita das ações americanas ou como falta de defesa da posição iraniana.
O cenário é ainda mais complexo quando se considera o uso eleitoral que esse encontro pode ter no contexto político interno brasileiro. O posicionamento do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o tema, por exemplo, é oposto ao do governo Lula, o que adiciona uma camada de tensão política doméstica à questão.
Apesar das preocupações, diplomatas reconhecem que se houver um convite formal da Casa Branca para um encontro em data específica, seria inevitável a participação de Lula, considerando a importância da relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos. A construção dessa relação tem sido feita “a duras penas”, conforme destacado por analistas, e um encontro presidencial representa um passo importante nesse processo diplomático.

