A Diretoria da Associação Docente (ADUnB) convocou docentes da Universidade de Brasília (UnB) para uma Reunião Extraordinária Ampliada do Conselho de Representantes, marcada para esta quinta-feira (21), às 16h, na sede da entidade.
A convocação ocorre após docentes identificarem nos contracheques a aplicação da absorção integral dos acréscimos remuneratórios da Unidade de Referência de Preços (URP). Além de ampliar de 60% para 100% o percentual sobre os reajustes, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) também prevê cobrança retroativa referente à folha de abril.
Segundo a convocatória, a reunião terá como pauta informes da categoria, a situação atual da URP, estratégias de mobilização e a preparação da Assembleia Geral prevista para o dia 25 de maio.
A ADUnB informou que atua politicamente e juridicamente, em articulação com a Reitoria da UnB, para tentar suspender a medida e reabrir as negociações junto ao governo federal. Segundo o secretário-geral da ADUnB, Pedro Gontijo, em pronunciamento publicado nas redes sociais da entidade, a categoria foi surpreendida pela aplicação da absorção integral nos contracheques.
“Fomos todos surpreendidos com a absorção de 100% dos nossos acréscimos remuneratórios retroativos ao mês passado, como pode ser observado nos nossos contracheques. Estamos em contato com a Reitoria, que por sua vez está em contato com outros órgãos do Governo Federal para revertermos essa injusta absorção”, afirmou.
De acordo com Gontijo, a entidade também busca abrir canal de negociação junto à Advocacia-Geral da União (AGU), por meio da Secretaria de Serviços Jurídicos Consultivos e de Assuntos Federativos (Secaf), apontada pela entidade como espaço adequado para condução das tratativas após reuniões envolvendo a Reitoria, o Ministério da Educação (MEC) e o próprio MGI.
“A nossa causa é justa, estamos lutando por direitos e, portanto, precisamos nos mobilizar e estarmos bem unidos na luta por esse direito, que é a defesa da docência e da Universidade de Brasília”, declarou.
Reitoria
A reitora da UnB, Rozana Reigota Naves, também se pronunciou nas redes sociais sobre os desdobramentos da medida e afirmou que a instituição atua para reverter os descontos aplicados.
Segundo a gestora, a universidade recebeu em 13 de maio um ofício do MGI informando sobre a parametrização do sistema para aplicação da absorção integral da URP sobre os reajustes concedidos em abril aos servidores não contemplados no acordo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub).
“No mesmo dia, realizamos reunião com a ADUnB informando que a Universidade de Brasília se absteria de fazer lançamentos de progressões e promoções, evitando assim que esses aumentos fossem absorvidos em 100% até que se avançasse a possibilidade de negociação com o MGI”, declarou.
Rozana afirmou ainda que, após articulação da Reitoria junto ao MEC, ao MGI e à Secretaria-Geral da Presidência da República, foi construída a possibilidade de instalação de uma mesa de conciliação com a categoria docente. “Em que pese o encaminhamento dessa reunião, no domingo, dia 17, todos fomos surpreendidos com a aplicação de 100% da URP sobre o reajuste concedido no mês de abril”, disse.
De acordo com a reitora, após a confirmação dos descontos, a universidade acionou o governo federal e lideranças políticas para tentar reverter a situação. Ela informou que o Decanato de Gestão de Pessoas (DGP) conseguiu realizar 1.855 lançamentos para reversão parcial da absorção antes do fechamento do sistema, alcançando cerca de 52% dos docentes ativos e aposentados.
“Não sendo possível completar os lançamentos na data de hoje, o DGP procederá aos lançamentos na próxima folha, pagando o retroativo da folha de maio”, indicou.
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