Participantes do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se mobilizaram, nesta quinta-feira (22), para um ato em solidariedade ao povo da Venezuela e contra o sequestro do presidente Nicolás Maduro pelo governo de Donald Trump no dia 3 de janeiro. Os militantes, que desde o início da semana participam do evento em Salvador (BA), se reuniram na Praça Terreiro de Jesus, junto ao Pelourinho, um dos símbolos da capital baiana.
O ato marcou ainda o anúncio de que, em fevereiro, uma nova brigada, com mais de 50 militantes do MST, viajará para Caracas para reforço à solidariedade ao povo venezuelano neste mês de fevereiro. O encontro nacional, que marca os 42 anos de fundação do movimento, foi pontuado por diversas demonstrações de apoio ao povo venezuelano desde o ato de abertura, na última segunda-feira (19).
“O MST coloca os mais de 3 mil militantes do Encontro Nacional aqui no centro de Salvador em total solidariedade ao povo da Venezuela, à soberania, à democracia e à soberania do país. Sobretudo, nos colocando como sujeitos que vão defender esse país, mas também pelas garantias da autonomia dos povos da Venezuela e da América Latina”, disse a deputada estadual Marina do MST (PT-RJ).
A deputada destacou, ainda, que, durante o encontro, parlamentares vinculados ao MST (deputados e deputadas federais e estaduais, além de vereadores e vereadoras) definiram que seus mandatos e seus gabinetes estarão à disposição dos movimentos de defesa e solidariedade aos venezuelanos.

“Para nós, o MST sempre foi um movimento irmão”, afirmou Moisés Borges, integrante da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). “(O MST) sempre tem uma visão assertiva da realidade, da conjuntura. Chama muita atenção para nós a questão da solidariedade internacional. Hoje (quinta) o ato em defesa e solidariedade à Venezuela representa um dos motivos que incentivam o MAB: a solidariedade internacional, o internacionalismo”.
“Quarenta e dois anos é muita história como movimento, muita coisa se passou, muitos governos passaram e o MST segue firme e forte na batalha e na luta. Para nós é uma inspiração e com certeza nos incentiva e nos estimula a seguir na luta também pelo MAB”, completou Moisés Borges.
Militante do PT na Bahia, Dani Ferreira afirmou que o MST é a principal organização política do país ao mobilizar estruturas, organizando a luta com capacidade de enfrentamento.
“O MST cumpre o papel de um movimento organizado em suas bases, que têm gente em cada estado deste país, fazendo acampamentos, fazendo ocupações, denunciando que o latifúndio em nosso país ainda é uma violência e que precisamos fazer a reforma agrária popular. Por isso, esses 42 anos de luta representam, para nós, muita alegria, mas também um lugar de convicção, de que a gente tem um movimento e um lugar para amparar nosso povo, amparar nossas lutas e a gente seguir em marcha. Vida longa ao MST!”, celebrou.
O Encontro Nacional do MST tem como objetivo avaliar e qualificar as linhas políticas do movimento, revisar e implementar o programa Reforma Agrária Popular, definido no último congresso do MST, em 2014, em Brasília (DF). O evento termina nesta sexta-feira (23). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é esperado para o ato de encerramento.

