A economia chinesa cresceu 5% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, aumentando 0,5 ponto percentual em comparação com o último trimestre de 2025.
O dado foi divulgado nesta quinta-feira (16) pelo vice-diretor do Escritório Nacional de Estatísticas (ENE), Mao Shengyong, em coletiva de imprensa do Conselho de Estado. O resultado foi puxado pelo desempenho da indústria de alta tecnologia, pelo comércio exterior e pelo fim de cerca de três anos de queda nos preços ao produtor, o que significa que as fábricas estão conseguindo cobrar mais pelo que produzem.
O PIB total do trimestre atingiu 33,4 trilhões de yuans (R$ 24,4 tri) em valores constantes. Por setor, o primário cresceu 3,8%, o secundário 4,9% e o terciário 5,2%. Na comparação com o trimestre do ano passado, a economia avançou 1,3%.
Alta tecnologia puxa indústria
O valor adicionado da indústria “acima do porte de referência” cresceu 6,1% no período, 1,1 ponto percentual acima do registrado no quarto trimestre de 2025.
A definição de “acima do porte de referência” ou do “tamanho designado” abarca as indústrias de médio e grande porte na China. Esse critério estatístico oficial chinês abrange as empresas industriais com receita operacional anual igual ou superior a 20 milhões de yuans (cerca de 16 milhões de reais). É o segmento que concentra a maior parte do valor agregado industrial, do emprego formal e da capacidade de inovação do país.
O destaque foi a indústria de alta tecnologia, com crescimento de 12,5%, mais que o dobro da média industrial. Embora represente menos de 20% do valor agregado industrial total, o setor respondeu por 32,6% de todo o crescimento da indústria nesse trimestre.
Nos dados de lucro acumulados de janeiro a fevereiro, a indústria de alta tecnologia foi responsável por 51,8% do crescimento dos lucros de toda a indústria, segundo o ENE. A indústria de equipamentos, por sua vez, representou 35,1% do valor adicionado industrial total e contribuiu com quase 50% do crescimento do setor.
Em termos de produtos específicos, a produção de equipamentos de impressão 3D cresceu 54%, a de baterias de íons de lítio avançou 40,8% e a de robôs industriais subiu 33,2%, todos em relação ao mesmo período do ano anterior.
Comércio exterior atinge máxima em cinco anos
O total das exportações e importações de mercadorias somou 11,8 trilhões de yuans (R$ 8,61 tri) no trimestre, crescendo 15% na comparação com o mesmo período do ano passado. Essa é a maior taxa trimestral dos últimos cinco anos, segundo o ENE. As exportações somaram 6,8 trilhões de yuans (R$ 4,96 trilhões), alta de 11,9%, enquanto as importações atingiram 4,9 trilhões de yuans (R$ 3,58 trilhões), crescimento de 19,6%.
O comércio com países parceiros da Iniciativa do Cinturão e Rota cresceu 14,2%. As empresas privadas responderam por 57,3% do total do comércio exterior, com crescimento de 16,2%. As exportações de produtos eletromecânicos avançaram 18,3%.
Índice de Preços ao Produtor encerra 41 meses de queda
Em março, o Índice de Preços ao Produtor Industrial (IPP) subiu 0,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior, encerrando um período de 41 meses consecutivos de queda. No mês anterior, o índice havia recuado 0,9%. Na comparação mensal, o IPP registrou alta de 1%, com seis meses consecutivos de avanço.
Segundo Mao Shengyong, a principal razão da mudança foi a melhora nas relações entre oferta e demanda no mercado interno, impulsionada pela transformação industrial em direção à inteligência artificial e à transição “verde”.
Os preços dos setores de fabricação de fibra óptica e de dispositivos de armazenamento externo subiram 76,1% e 21,1% respectivamente em março. O combate à competição predatória em setores como fotovoltaico e baterias também contribuiu para a recuperação de preços.
Consumo e investimento
O total das vendas no varejo de bens de consumo somou 12,7 trilhões de yuans (R$ 9,27 trilhões), crescendo 2,4%, e representando uma aumento de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre anterior. Mais de 60 milhões de pessoas fizeram uso do programa de substituição de produtos usados por novos (Plano de Ação para Promover a Troca de Bens de Consumo), o que significou vendas no valor de mais de 430 bilhões de yuans (R$ 313,9 bi) no período, segundo o ENE.
O investimento em ativos fixos cresceu 1,7%, revertendo a queda de 3,8% registrada em 2025. O investimento em infraestrutura foi de 8,9%, 8,3 pontos percentuais acima da média do ano anterior. O investimento manufatureiro cresceu 4,1%.
Riscos
Apesar do bom desempenho, Mao Shengyong reconheceu que a contradição entre oferta forte e demanda fraca persiste e que a base para a recuperação ainda precisa ser consolidada.
O porta-voz citou a elevação dos riscos geopolíticos e a instabilidade nos preços internacionais de energia como fatores de incerteza para os próximos meses. Ele acredita que a diversificação da matriz energética doméstica e a competitividade das empresas chinesas oferecem condições para enfrentar esses desafios.

