Um contrato exclusivo obtido pelo Intercept Brasil mostra que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) detinha poder direto sobre o dinheiro destinado ao projeto ‘Dark Horse’, um filme que contará a história da vitória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de 2018.
A investigação mostra que Eduardo Bolsonaro não era apenas um apoiador, como ele alegou em suas redes sociais na última quinta-feira (14), mas exercia papel de liderança nas orientações sobre o fluxo de caixa do projeto.
Mensagens e o contrato da produção do filme indicam que o parlamentar orientou o envio de recursos para os Estados Unidos, verbas estas que teriam sido negociadas por seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), junto ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O montante negociado chegaria a R$ 134 milhões, mas a família teria recebido R$ 61 milhões.
Conexões com Ricardo Nunes
A produtora responsável pelo filme, GoUp Entertainment, ligada a setores evangélicos e aliados da extrema direita, possui um contrato de R$ 108 milhões com a prefeitura de Ricardo Nunes (MDB) para a instalação de pontos de Wi-Fi na capital.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) está sob pressão para investigar se houve favorecimento político ou desvio de finalidade, dado o estreito laço entre a produtora-executiva do filme e a cúpula do bolsonarismo, que inclui Nunes.
De acordo com a GloboNews, o Supremo Tribunal Federal (STF) tenta intimar o deputado federal Mário Frias (PL-SP) há mais de um mês, para que explique “possíveis irregularidades na execução de recursos de emendas”.
O parlamentar enviou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil, que é administrado pela GoUp Entertainment, via emenda parlamentar. O Intercept consultou os sócios da empresa, mas não eles não se manifestaram.

