O Dia Mundial da Educação, celebrado nesta terça-feira (28), é um momento para reforçar a educação como um direito fundamental e refletir sobre os desafios para a área. Mas também lembrar da importância e das referências dos que, como Paulo Freire, fizeram desse direito uma ferramenta para o conhecimento, a liberdade e as trocas nas relações humanas.
Ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de FatoDaniel Cara, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), afirma só a educação pode fazer com que uma pessoa viva plenamente em sociedade.
“Educação é tudo aquilo que os homens e mulheres criaram para viver em sociedade. As artes, a cultura, a ciência, tudo aquilo que foi criado para superar sua condição, para se tornarem mais felizes, mais produtivos, isso tudo é cultura, é um direito, é parte da condição humana. Educação é tão fundamental quanto ter saúde, ter alimento. A educação é um alimento para a alma”, destaca.
Cara também menciona Paulo Freire, ao lembrar que educação é “o desafio do exercício de emancipação das pessoas a partir da leitura do mundo” e, por essa razão, ela também vai ampliar repertório e possibilitar transformações sociais de vida. “Quando você tem o repertório mais amplo, você consegue construir novos caminhos, ampliar horizontes. Nesse sentido, com educação, você também dá a chance de todas as pessoas terem voz”, afirma.
Com relação a uma avaliação mais geral da educação no Brasil, Cara comenta alguns dados divulgados recentemente pelo Ministério da Educação. Dentre os participantes do Pé-de-Meia, houve redução de 43% no abandono escolar e de 33% na taxa de reprovação. Para o especialista, o programa tem méritos, mas deveria ser encarado como um dispositivo de política de desenvolvimento social, não de educação. “Eu defendo o Pé-de-Meia mas ele deveria estar articulado com o Bolsa Família. O problema concreto é uma política de distribuição de renda que tem como condicionante a permanência do estudante (no sistema). Considerando isso, é um programa fundamental que precisa ser incrementado com a melhoria da condição de educação no ensino médio”, critica.
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