O cenário eleitoral de 2026 começa a se desenhar com movimentos importantes nos estados e na esfera nacional. Em São Paulo, a possível candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo estadual contra Tarcísio de Freitas acirra a disputa. No plano nacional, a união de Tarcísio com Flávio Bolsonaro consolida a candidatura do senador, que já aparece em empate técnico com o presidente Lula em pesquisas de segundo turno. Enquanto isso, na CPMI do INSS, uma votação fraudada que resultou na quebra de sigilo do filho de Lula expõe o que especialistas veem como a tônica da campanha que se aproxima: as mentiras.
Jorge Folena, advogado e cientista político, analisa no Conexão BdF e Rádio Brasil de Fato a possível candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. “A melhor pessoa para disputar com Tarcísio de Freitas é o ministro Fernando Haddad. Ele disputou com Tarcísio na eleição passada e dá para fazer uma avaliação do projeto que Haddad tinha para o estado, que ele executou como ministro da Fazenda nesses quatro anos do governo Lula, e o que Tarcísio está fazendo em São Paulo.”
“De um lado, um projeto privatizante, neoliberal, excludente e longe do povo. Do outro, um projeto de levar uma São Paulo mais desenvolvida, mais humana. São projetos antagônicos, e Haddad se apresenta na linha do governo Lula, para que São Paulo possa integrar-se cada vez mais com o governo federal”, avalia.
Folena destaca a trajetória do ministro que foi um “excepcional” ministro da Educação e agora se revela um “excepcional” ministro da Fazenda. “É um homem preparado, talhado, além de ter sido prefeito da cidade de São Paulo com uma gestão muito positiva, que deixou um bom legado estrutural, inclusive um plano diretor revolucionário que foi premiado pela ONU.”
Sobre o encontro de Tarcísio de Freitas com Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa de São Paulo, onde o governador declarou apoio à campanha do senador, Folena é cético quanto à consistência da candidatura bolsonarista.
“Eu não sei se essa realidade de Flávio Bolsonaro é uma realidade que de fato represente densamente um eleitorado brasileiro. Há muito pouco tempo de Flávio Bolsonaro. Eu estou percebendo um cenário muito insuflado, com muitas mentiras para levar uma candidatura – mentiras promovidas pela classe dominante brasileira”, destaca.
O advogado questiona o crescimento repentino já que nem o seu pai teria um crescimento tamanho em tão pouco tempo e sem exposição. “Estou colocando em dúvida essa apresentação que tem sido feita, principalmente nos últimos 30 dias, desse crescimento exponencial de uma candidatura que sequer tem base nos estados.”
Folena aponta que Tarcísio foi preterido na disputa presidencial. “O próprio Tarcísio foi passado para trás nessa candidatura de Flávio Bolsonaro. O que mostra aquilo que Gilberto Kassab questionou: Tarcísio não dá para ser submisso. O candidato preferido da classe dominante era Tarcísio, mas sua submissão o levou a apoiar Flávio.”
Folena aventa a possibilidade de uma chapa forte em São Paulo envolvendo PT e PSD. “Eu gostaria muito de ver o Kassab como vice-candidato a governador na chapa do ministro Haddad. Há interesses distintos que podem se encontrar.”
“Em 2030, o presidente Lula provavelmente não será mais candidato. Haddad, se for governador de São Paulo, provavelmente disputará a presidência da República. E Gilberto Kassab poderá ser o candidato a governador em 2030, que é o sonho dele. Então, encaixa muito bem uma chapa entre PT e PSD em São Paulo”, projeta.
O advogado vê a aliança como forte para enfrentar o bolsonarismo, Kassab está no governo de São Paulo do Tarcísio, mas também está no governo federal. “Ele tem mostrado que Tarcísio é submisso. É uma oportunidade para Kassab se desvincular, quem sabe ser candidato junto com Haddad. Seria uma chapa muito, muito forte em São Paulo.”
A fraude na CPI e a tônica da eleição: as mentiras
Sobre a quebra do sigilo fiscal do filho do presidente Lula na CPMI do INSS, Folena é categórico. “O que aconteceu ontem na CPMI é a tônica do que vai ser a eleição deste ano. A eleição será marcada pelas mentiras.”
“Foi estampadamente demonstrada a mentira, a fraude, a má-fé por parte de quem presidiu aquela comissão. Quatorze parlamentares votaram contra, e o presidente disse que foram sete. Tudo aquilo foi uma armadilha, uma mentira praticada com provocações para criar um cenário de confronto e dizerem: ‘O PT, os parlamentares petistas estão com medo da convocação do Lulinha’”, afirma.
Folena conecta o episódio à estratégia mais ampla da oposição, sendo um cenário criado para que nas redes sociais se inventassem “todas as mentiras que estamos vendo”. E acrescenta que “as mentiras são incentivadas, incensadas, elevadas pelos veículos de comunicação empresariais que utilizam essas manobras para distorcer a realidade. Nenhum veículo apontou com clareza que aquela decisão foi forjada na mentira.”
Ele lembra que o tumulto provocado após a votação foi parte da estratégia. “Parlamentares filmando a movimentação, a briga provocada. Aquele cenário foi criado exatamente pelos fascistas e pela classe dominante para tentar desgastar o governo.”
Projetos em disputa
Folena contrasta a ausência de propostas da oposição com o programa concreto do governo Lula. “O presidente Lula tem uma proposta concreta. Em quatro anos, mostrou que é possível o Brasil ser um país soberano, desenvolvido, ter uma economia pujante e cuidar do povo brasileiro. Eles não têm esse projeto. Eles têm um projeto de destruição, de mentira.”
Ele cita o discurso de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa. “Ele falou que agora é defensor das mulheres, contra o feminicídio. Quando o pai dele é o defensor do feminicídio, disse que é mimimi. Eles vão mentir de todas as maneiras, porque não há projeto.”
“O presidente pegou o país destruído, com programas sociais destruídos, economia arrasada, administração pública destruída. Está entregando o país em pé, com capacidade efetiva de crescer cada vez mais, com investimentos no exterior, emprego e desenvolvimento. Isso é um projeto concreto. O outro lado não tem nada, só vai ter mentiras – como foi feito na Lava Jato, como foi feito no mensalão. Mentiras, mentiras e mentiras”, conclui.
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