Eleições no Peru e na Colômbia refletem avanço da extrema direita no mundo, afirma analista internacional

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A disputa eleitoral no Peru, matematicamente, coloca Keiko Fujimori como a próxima presidenta e indica a derrota do candidato de esquerda Roberto Sánchez, que, por sua vez, já declarou que questionará o resultado por possível fraude.

Na Colômbia, depois de uma apuração apertada, Iván Cepeda, candidato de esquerda apoiado pelo presidente Gustavo Petro, reconhece a vitória do ultradireitista Abelardo de La Espriella.

A analista internacional Ana Carolina Marson afirma que o cenário evidencia o avanço da extrema direita na América Latina, seguindo uma tendência mundial. Especificamente sobre o Peru, aponta a instabilidade política como um terreno fértil para esse resultado.

“São dois candidatos extremamente opostos dentro do espectro politico: Sánchez com pautas sociais e Fujimori mais liberal, voltada para o mercado e filha do ex-ditador. Além disso, tivemos um processo eleitoral bastante conturbado, que precisou ser acompanhado voto a voto”, recorda Marson. “Os dois foram se alternando em primeiro e segundo lugar, e agora a Fujimori consegue essa vitória. “Isso mostra uma opinião pública extremamente dividida de um país que teve, em dez anos, nove presidentes. Depois da ditadura do pai de Keiko Fujimori, só um presidente conseguiu concluir o mandato. Todos os outros por questões com o legislativo não conseguiram”, explica em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato.

Marson não acredita na possibilidade de anulação ou mesmo de reversão do resultado no Peru. “O questionamento das urnas tornou-se algo muito comum, inclusive vimos isso aqui no Brasil”, diz. “Esse questionamento traz mais tensão em uma conjuntura já bastante complicada”, aponta.

Além disso, Ana Carolina Marson destaca que é importante considerar que os colégios eleitorais dos candidatos são bastante distintos. “Keiko Fujimori venceu no exterior, mas ainda assim, isso é ínfimo perto do eleitorado no país e, ao que tudo indica, ela venceu no país. O Sanchez tem mais capilaridade em regiões mais afastadas da região central e de Lima, regiões de mais população originária e de maior vulnerabilidade. Nos grandes centros econômicos, Fujimori consegue ser mais vitoriosa.”

A analista política analisa que esse cenário de disputas acirradas entre campos políticos antagônicos, que foi visto no Peru e na Colômbia, pode ser comparável ao Brasil, onde o presidente Lula (PT) tenta a reeleição e aparece nas pesquisas muito próximo do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato da extrema direita. “É um movimento que a gente tem visto no mundo todo, com uma divisão muito forte da opinião pública”, diz.

Sobre as eleições brasileiras, ela acredita que qualquer resultado é possível. “É bastante diferente do que ocorreu em eleições passadas do próprio Lula, quando falamos em onda rosa ou onda vermelha, quando governos de esquerda estavam no poder na maior parte dos países latino-americanos”, afirma.

Marson, contudo, pondera que, diferente de outros países, aqui no Brasil as eleições deste ano serão permeadas pelo escândalo do Banco Master. “Daniel Vorcaro quer fazer a delação; ainda não foi aceita, mas sempre que sai alguma novidade da investigação sobre o caso, novos políticos são impactados. Inicialmente, foi o senador Flávio. Agora, o senador Jaques Wagner. Além de toda essa situação esquerda contra direita que estamos vivendo na América Latina como um todo, em 2026 temos uma situação bastante específica”, afirma.

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