Metade dos brasileiros desaprova a forma com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) governa o país, enquanto 44% aprovam o governo federal, segundo a pesquisa Ipsos/Ipec divulgada nesta segunda-feira (22). Outros 6% não souberam ou preferiram não responder.
Para o advogado e cientista político Jorge Folena, é possível considerar que o governo federal vem se recuperando, especialmente na comparação com pesquisas de meses anteriores. Além disso, segundo o especialista, se forem consideradas as avaliações de ótimo, bom e regular, o índice chega a quase 60%.
“Chama a atenção a forma com que foi destacado o índice de desaprovação do governo, quando, na verdade, considerar ótimo, bom ou regular é uma aprovação”, pondera.
Folena defende que a elite econômica e grande parte da mídia comercial estão tentando ressuscitar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Esse cenário do senador Jaques Wagner (PT-BA), a forma com que ela foi conduzida e a exposição pessoal do senador é uma forma de criar uma tese da contaminação política, ou seja, para tentar criar a narrativa de que está todo mundo envolvido nas falcatruas do Banco Master. Mas a situação de Flávio Bolsonaro é muito grave e não é a mesma coisa do Jaques Wagner. O ponto que quero trazer aqui é a forma com que essa discussão vem sendo trazida”, aponta.
Além disso, Folena destaca que a situação de Jaques Wagner não tem ligação com o presidente Lula e que essa é uma óbvia manobra da extrema direita para tentar afetar a pré-candidatura do petista. “Estão tentando colocar uma situação individual de um político, dentro do governo do presidente Lula. Não é o governo que está envolvido com Daniel Vorcaro e isso está demonstrado. E a gente precisa rechaçar isso, porque não é correto. Só que essa tentativa de jogar essa história do Jaques Wagner dentro do governo Lula. Jaques Wagner é Jaques Wagner, não é o governo Lula”, ressalta.
“O caso do Flávio é diferente porque ele mesmo pediu o dinheiro para o filme do pai e da campanha dele”, compara. “Me parece que a coisa está direcionada politicamente e isso inclui a forma com que essa pesquisa é apresentada para a opinião pública”, opina o cientista político.
Jorge Folena afirma que a insistência de Jaques Wagner em se manter na liderança do Senado prorroga o debate e prejudica, em alguma medida, o governo Lula. “Não acho que deveria renunciar porque é quase passar um atestado de culpa. Mas ele poderia pedir licença das funções dele, porque ele evitaria um desgaste dele, do partido e do governo. Ele pede licença, presta os esclarecimentos. Se no final do relatório ficar compreendido que não tem ligação, ele retorna às funções. Não é uma questão difícil. Ele é um político maduro e inteligente”, analisa.
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