Em audiência, sindicalistas pressionam Congresso por fim da escala 6×1 sem transição gradual

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Representantes das principais centrais sindicais do país defenderam, nesta terça-feira (19), o fim da escala 6×1 sem transição gradual, sem redução salarial e sem medidas de compensação ao setor empresarial. Durante audiência da comissão especial na Câmara dos Deputados, os líderes afirmaram que a mudança representa uma demanda histórica da classe trabalhadora e criticaram propostas que incluem contrapartidas ao empresariado.

Para as entidades, a redução da jornada para 40 horas semanais é uma resposta às transformações no mundo do trabalho e ao desgaste enfrentado pelos trabalhadores brasileiros. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, afirmou que a escala é um dos motivos que levam profissionais a rejeitarem empregos formais, diante de condições consideradas exaustivas. Ao Brasil de Fatoele sinalizou que “está mais do que na hora dessa mudança acontecer”.

“O fato é que recai sobre o trabalhador a maior parte das responsabilidades domésticas e do cuidado com filhos, idosos e familiares. Isso é a típica jornada dupla ou tripla, a depender das atividades”, afirmou.

Na avaliação das centrais, a resistência do empresariado repete discursos históricos usados contra direitos trabalhistas já consolidados. Diretor da Força Sindical, Sérgio Leite afirmou que “reduzir a jornada de trabalho é uma adequação diante de todos os avanços que tivemos desde 1988.”

Ele também fez um paralelo com a história. “Quando se criou o 13º salário, houve tentativa de apavorar a sociedade dizendo que o setor produtivo, o comércio e a indústria não iriam conseguir absorver esse custo, e nada aconteceu. Pelo contrário, o trabalhador foi colocado no orçamento, na possibilidade de consumidor”, disse.

Os representantes sindicais também defenderam que a redução da jornada não compromete o crescimento econômico. Para eles, mudanças anteriores nos direitos trabalhistas vieram acompanhadas de modernização produtiva e aumento da produtividade. Presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) Antônio Neto afirmou que as mudanças “frequentemente acompanharam períodos de modernização econômica, reorganização produtiva e aumento de produtividade”.

“Talvez porque o desenvolvimento não signifique apenas produzir mais, mas produzir e viver melhor. Nós não vemos sentido em esperar mais quatro anos. Chega, as condições estão dadas. É uma exigência da sociedade e queremos 40 horas sem transição”, afirmou.

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