Em EP de estreia, Vinícius Tavares apresenta Toritama cosmopolita e ‘eletrococo’ pernambucano; ouça aqui

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A paisagem e o tempo de um território são matérias-primas inesgotáveis para a criação artística. Um mesmo lugar pode carregar um mosaico de perspectivas, do qual diversas gerações podem extrair poéticas muito diversas a partir de diferentes vivências nesse espaço. A região Agreste de Pernambuco é um lugar que inspirou muitas produções musicais do estado. E nesta sexta-feira (1º), o município de Toritama, a 120 quilômetros do Recife, ganhou uma novo retrato com o lançamento do EP “Zé do Cão – Cap.1”, de Vinícius Tavares.

Em seu projeto de estreia, Vinícius bebe nas experimentações do “eletrococo” para gerar encontros de sonoridades e discursos que a capital do jeans colocou no caminho do artista. Os sons das máquinas de costura e o rasgar das toyotas pelas ruas e estradas encontram sons sintetizados, batidas e levadas de embolada e aboios, pintando sonoramente uma paisagem que concilia a tradição da cultura popular com um cosmopolitismo que consegue ser particular e global ao mesmo tempo.

“Existem vários agrestes – e Toritama é um agreste cosmopolita, pelo grande trânsito de pessoas, devido ao polo de confecção, visitada pelo mundo todo. Esse álbum vai falar muito desse cosmopolitismo, que vai trazer referências que vão desde o cinema nordestino até o que sai da boca da minha avó, a poesia que está sempre no nosso povo. Assim como referências de outras partes do mundo, uma reunião das coisas que eu costumo ouvir e ver”, afirma Vinícius Tavares, em conversa com o Brasil de Fato.

Os caminhos artísticos de Tavares partem da arte que circula pelas feiras do Agreste de Pernambuco desde quando era criança. Aos 15 anos, começa a aprender por conta própria instrumentos como violão, pandeiro e sanfona, se interessando também pelos meandros da produção musical. Ao trabalhar em uma rádio comunitária da cidade, entra em contato com diversos mestres da cultura popular. Se aproxima também do canto e da embolada, levando-os para as mesmas feiras onde encontrou suas primeiras referências.

Estradas que desembocam nesse trabalho de estreia, seu primeiro com mais robustez em um potencial de circulação, “um Toyota em direção ao astral”, como diz um trecho da abertura da faixa “Cavalo do Cão”.  A produção foi feita no estúdio em casa montado pelo artista e batizado de Facção de Arte, emprestando o nome dado aos tradicionais espaços de confecção têxtil da cidade. Um projeto que se abrilhanta com participações especiais de nomes importantes da cena contemporânea do estado, como Jessica Caitano, Vírginia Guimarães e Nathália Tenório.

“É um projeto que carrega a construção de uma autoestima do nosso povo, de nos reconhecermos como artistas e forças produtivas para além da economia, algo importante para a região. É um álbum que carrega minha pretensão de conseguir me posicionar como produtor musical e que a gente possa viver com dignidade, circulando, fazendo shows e participando da cadeia produtiva, para continuarmos elaborando sobre esses locais”, conclui Vinícius.

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