O presidente Luiz Inácio da Silva (PT) afirmou, nesta segunda-feira (20), que intervenções estrangeiras na América Latina e no Caribe podem causar “danos maiores do que o que se pretende evitar” em meio à escalada de tensão entre a Venezuela e os Estados Unidos.
Durante o seu discurso na cerimônia de entrega das cartas credenciais de embaixadores no Palácio Itamaraty, Lula não citou diretamente o presidente venezuelano Nicolás Maduro e o estadunidense Donald Trump, mas disse que manter a paz na região que vive um momento de instabilidade é uma prioridade do Brasil.
“Na América Latina e Caribe também vivemos um momento de crescente polarização e instabilidade. Manter a região como zona de paz é nossa prioridade. Somos um continente livre de armas de destruição e massa, sem conflitos étnicos ou religiosos. Intervenções estrangeiras podem causar danos maiores do que o que se pretende evitar”, afirmou o presidente.
Na última quinta-feira (16), o presidente defendeu publicamente o país vizinho. “Todo mundo diz que a gente vai transformar o Brasil na Venezuela, e o Brasil nunca vai ser a Venezuela, e a Venezuela nunca vai ser o Brasil, cada um será ele (próprio). O que nós defendemos é que o povo venezuelano é dono do seu destino, e não é nenhum presidente de outro país que tem de dar palpite de como vai ser a Venezuela ou vai ser Cuba”, disse sem nomear Trump.
Em agosto, Washington iniciou uma operação antinarcóticos com sete navios de guerra em águas internacionais do Caribe, perto das costas venezuelanas, após acusar Maduro de liderar cartéis de drogas. Até o momento, pelo menos seis embarcações foram atacadas pelos estadunidenses, deixando 27 mortos.
Em resposta, Maduro, que considera a ação uma “ameaça” para pressionar uma “mudança de regime”, ordenou a realização de exercícios militares nas fronteiras. O chefe de Estado também anunciou a ativação de três novas Zonas Operativas de Defesa Integral (ZODI) nos estados de Nova Esparta, Sucre e Delta Amacuro.
“É assim que estamos concluindo todos os preparativos necessários, alcançando o estado ideal para a defesa integral da Pátria”, disse Maduro em seu canal no Telegram.
O deputado venezuelano Raúl Campos, que esteve no Brasil na última sexta-feira (17) para debater a atual situação, disse que a população está se organizando para derrotar a “manobra imperialista”.
“Na Venezuela estamos vivendo uma agressão sem precedentes do imperialismo norte-americano que está desesperado. Está desesperado porque todas as tentativas de derrotar o governo bolivariano falharam. Neste momento, o povo goza de plena tranquilidade e paz. Se dedica ao estudo, ao trabalho e a preparar as festas natalinas, mas também estamos nos preparando para a defesa do território”, declarou Campos.

