Em MG, mulheres vão às ruas no 8M contra a violência e pelo fim da escala 6 por 1

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Em defesa da vida das mulheres, da soberania e da democracia; contra o imperialismo; e pelo fim da escala de trabalho 6 por 1. Essas são algumas pautas da mobilização do Dia Internacional de Luta das Mulheres deste ano. Em Minas Gerais, o protesto também agrega denúncias à violência de gênero e às políticas do governo de Romeu Zema (Novo).

Em Belo Horizonte, a concentração da manifestação começa às 9h, na Praça Raul Soares. O ato contará com intervenções artísticas e de movimentos populares e culminará em uma marcha pelas ruas do centro da capital mineira.

Renata Regina de Abreu Rodrigues, jornalista e integrante do 8M Unificado RMBHum dos movimentos que organiza a mobilização, destaca a importância da luta das mulheres no atual contexto político nacional e internacional.

Combate à violência

“Neste ano, dizemos basta de feminicídio, de violência de gênero, e fora Trump da América Latina e da Palestina.  Marchamos juntas contra um projeto de morte e por um projeto de vida. No enfrentamento ao imperialismo, ao patriarcado, ao racismo, pelo fim de todas as formas de violência, opressão e exploração dos nossos corpos. Também denunciamos o genocídio do povo palestino, as políticas imperialistas e todas as guerras que matam mulheres e crianças, reafirmando a solidariedade entre os povos”, enfatiza.

Em 2025, Minas Gerais ficou no segundo lugar do ranking nacional de atentados contra a vida de mulheres motivados pela questão de gênero, com 139 mortes registradas, segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do governo federal. Esse índice significa uma média de aproximadamente três feminicídios por semana.

Como aponta a integrante do 8M Unificado RMBHcom o agravamento das guerras e conflitos bélicos ao redor do mundo, as mulheres e meninas também têm sido as principais vítimas. Segundo a Federação Palestina no Brasil, desde o início dos ataques de Israel, com o apoio dos Estados Unidos, quase 70% das pessoas mortas na Faixa de Gaza são mulheres e crianças.

Enfrentamento à cultura do estupro

O protesto acontece poucos dias após um caso envolvendo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) ganhar repercussão em todo o país. O desembargador Magid Nauef Láuar havia votado pela absolvição de um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12, em Indianópolis, no Triângulo Mineiro, por considerar que havia “vínculo afetivo consensual” entre ele e a vítima.

Depois de muitos protestos populares e da exposição pública de casos de supostos abusos cometidos pelo próprio desembargador, ele voltou atrás e restabeleceu a condenação do homem. Rodrigues explica que esse tema também terá centralidade no 8M deste ano.

“A mobilização também levanta a defesa da vida das crianças, o enfrentamento à cultura do estupro e à impunidade em casos de violência sexual. Pela proteção das nossas crianças e o combate à pedofilia”, elenca.

Fim da escala 6 por 1

A organização do 8 de março em BH também destaca que as mulheres são as principais impactadas pela situação da classe trabalhadora. Por isso, as mulheres reforçam na mobilização deste ano pautas históricas, como o fim da escala de trabalho 6 por 1.

Bernadete Esperança, da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e da secretaria das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que também convocam os atos, explica como a luta pela ampliação de direitos também é uma luta feminista.

“Para nós, o enfrentamento à violência contra as mulheres e ao feminicídio é algo que está muito evidente, muito forte. Mas sabemos que muito dessa violência acontece também por falta de autonomia econômica e financeira das mulheres. Defender o fim da escala 6 por 1 é defender que as mulheres tenham mais condições de exercer a sua vida e fiquem menos vulnerabilizadas”, destaca.

Para a integrante da MMM, em Minas Gerais, outro tema que ganha importância é o enfrentamento às políticas do governo Zema, em especial as tentativas de privatização das empresas públicas, como a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

“O ‘fora Zema’ também é uma pauta muito forte para nós, porque queremos denunciar e enfrentar o desmonte do estado de Minas Gerais e as privatizações, que para nós, mulheres, também diz respeito ao nosso cotidiano, ao trabalho e à sustentabilidade da vida”, finaliza Esperança.

As origens do 8 de março

A história do Dia Internacional de Luta das Mulheres, comemorado no 8 de março, tem origem no movimento de mulheres socialistas do final do século 19 e início do século 20. A luta das mulheres reivindicava o direito ao voto, ao reconhecimento como portadoras de bens e direitos, o acesso ao trabalho e ao espaço público.

Muitos acreditam que a data surgiu em razão do trágico incêndio em uma fábrica nos Estados Unidos, onde mais de 100 operárias foram mortas. Tal evento foi importante para o desenvolvimento do movimento operário estadunidense. No entanto, a vinculação desse episódio à criação do Dia Internacional das Mulheres é um mito.

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