A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) voltará a operar as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade por 90 dias após graves falhas ocorridas em segundo e no terceiro dia em que a concessionária Trivia Trens administrou o serviço. A decisão foi anunciada pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).
Na quarta-feira (22), a falha em um equipamento da linha 12-Safira causou atrasos na operação. Nesta quinta-feira (23), a situação foi pior: um curto-circuito causou um incêndio, que gerou uma explosão e afetou todas as linhas de responsabilidade da nova concessionária.
Em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de FatoSérgio Renato, chefe de relações intersindicais do Sindicato dos Metroviários, conta que o processo de privatização começou em março do ano passado e, de lá para cá, a gestão passou a ser da Trivia, que ainda usava serviços e mesmo a expertise de trabalhadores da CPTM nesse processo de transição.
O sindicalista, que trabalha no Metrô há 30 anos, destaca que a culpa não pode recair sobre os trabalhadores da Trivia. “É um crime o que essas empresas fazem. Colocam o trabalhador sem treinamento. Eu posso imaginar o desespero desses profissionais”, afirma.
Renato afirma que os episódios provam o que movimentos populares, sindicatos e os trabalhadores do setor falam há muito tempo: o processo de privatização é um equívoco. “Esse evento, além de desastroso, com riscos gravíssimos de vida à população, é mais um exemplo desse processo de privatização que já vinha acontecendo, mas que se acelerou com Tarcísio, que se vangloria disso no estado. A gente sempre questionou isso, pela nossa experiência”, destaca o sindicalista.
Sérgio Renato também detalha a luta para conscientizar a população de que a privatização dos transportes não era um caminho. “Junto aos companheiros da Sabesp, nós do Metrô, da CPTM, fizemos um plebiscito popular, discutimos muito isso com a participação do MTST, CUT, movimentos populares, para que a população passasse a entender o que estava em jogo. E a população é contra. Esse fato é mais uma prova cabal, cristalina, de que esse processo é muito ruim. E mais que isso, põe em risco a vida de muita gente”, reforça.
Em nota publicada em seu site, a Trivia Trens diz que suas equipes técnicas atuaram para restabelecer a circulação e realizar o desembarque assistido dos passageiros por razões de segurança. A concessionária não enviou resposta aos questionamentos feitos pelo Brasil de Fato para esclarecer os detalhes operacionais e as medidas de contingência adotadas durante o dia de caos.
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