O impasse entre Estados Unidos e Irã, com a prorrogação do cessar-fogo nesta quarta-feira (22) após pedido do mediador Paquistão, parece longe de um desfecho, com o tensionamento da disputa de controle do Estreito de Ormuz cada vez mais acirrado. Uma negociação para o fim da guerra, diante do atual cenário, é pouco provável.
Essa é a avaliação de Rodrigo Amaral, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fatoele destaca que, até o momento em que o conflito com o Irã não estava afetando de forma tão significativa o preço do petróleo e a economia global, Trump estava seguindo com sua narrativa bélica contra o Oriente Médio. Agora, se vê cada vez mais encurralado.
“A questão mais constante dessa presidência inconstante de Donald Trump são os mercados de capitais, o mercado financeiro. A eles, Trump responde de forma fiel e direta”, avalia, ao lembrar os recentes recordes no valor do petróleo e os impactos para diversos setores, como o de aviação.
Amaral acredita que a extensão da trégua é mais uma prova do desgaste do líder estadunidense, que, no entanto, não quer dar o braço a torcer de que está perdendo a guerra. “Ele quer o fim do conflito, mas quer o fim do conflito com uma aparência de vitória. De início, os EUA tiveram um ataque muito agressivo e apostaram que o assassinato do aiatolá seria o suficiente para gerar uma mobilização popular contra o regime. Mas a gente viu o contrário, porque até mesmo as alas mais progressistas (no Irã) são anti-imperialistas. Ou seja, já deu errado de início”, pontua.
Amaral avalia que a continuidade do conflito contra o Irã tem colocado em xeque os valores tradicionais liberais, que colocaram os Estados Unidos como líder global. “Eu acho que esse é a grande derrocada norte-americana, conduzida por um líder de extrema direita, que é o Donald Trump, que tem jogado isso na lata do lixo, talvez acelerando o processo de crise internacional dos Estados Unidos rumo a uma derrota.”
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