Estudantes e professores da Universidade do Distrito Federal (UnDF)que estão em greve desde o dia 20 de março, realizaram, nesta sexta-feira (24), um ato na W3 Norte, região do Plano Piloto em Brasília, em frente à Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS), para cobrar o cumprimento de compromissos assumidos pelo Governo do Distrito Federal (GDF).
A mobilização teve como objetivo pressionar a governadora Celina Leão (PP) a cumprir os encaminhamentos discutidos em reunião realizada no último dia 15, no Palácio do Buriti, entre representantes do governo, parlamentares da oposição, docentes e estudantes da universidade. Até o momento, segundo o movimento grevista, não houve atualização oficial ou medidas concretas para efetivar os acordos anunciados.
Na reunião, o Diretório Central Acadêmico (DCA) e o Sindicato dos Docentes da UnDF (SindUnDF) apresentaram as reivindicações da categoria a deputados distritais e ao Governo do Distrito Federal (GDF). Entre os pedidos estão a exoneração imediata da reitora Simone Benck, a nomeação de uma nova gestão temporária, a manutenção dos estudantes em seus campus de origem, a revisão do contrato de aluguel firmado com o Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb) e o envio de projetos de lei sobre carreira docente e governança universitária.
Também foi entregue ao governo um documento elaborado pela comunidade acadêmica com reivindicações consideradas centrais para o encerramento da greve.
A professora Kissila Mendes, que participou das negociações, afirmou que a proposta partiu do reconhecimento de uma crise estrutural na universidade. “A reitoria atual não tem conseguido estabelecer interlocução com a comunidade acadêmica, e por isso se coloca a necessidade de uma transição imediata para destravar os processos da universidade”, declarou.
Segundo ela, a nova gestão temporária teria a missão de conduzir debates sobre democratização interna, criação de conselhos colegiados e processos eleitorais. “Não se trata apenas de trocar a gestão, mas de reconhecer que a universidade precisa de um novo ciclo, com capacidade real de diálogo e construção coletiva”, acrescentou.
Greve mantida
Apesar das sinalizações apresentadas pelo Governo do Distrito Federal (GDF), estudantes e docentes afirmam que o movimento de greve segue em vigor. Parte das assembleias decidiu manter a paralisação até a confirmação oficial das mudanças reivindicadas pela comunidade acadêmica, motivo que levou à realização do ato desta sexta-feira (24).
Representante do Diretório Central Acadêmico (DCA) Bárbara Oliveira reforçou que a mobilização continua. “Até a nomeação do reitor interino e o cancelamento do aluguel do Iesb, estaremos de greve”, afirmou.
Ela reconheceu que a reunião trouxe avanços importantes, como a permanência dos alunos nos campus de origem e a revisão do contrato de aluguel, mas considerou insuficiente para o encerramento imediato da paralisação. “Saímos com compromissos importantes, mas a categoria entende que a greve só pode ser suspensa com a validação efetiva de cada ponto acordado.”
Resistência à precarização
Mesmo com materiais divulgados pela Reitoria indicando o fim da paralisação, o comando de greve afirma que o movimento continua. Os docentes cumprem decisão judicial que determinou o retorno parcial das atividades, mas mantêm o estado de greve contra o que classificam como postura autoritária da gestão, que chegou a pedir multas milionárias contra o movimento.
O principal foco da insatisfação é o contrato de R$ 110 milhões para aluguel de prédio do Iesbem Ceilândia, região administrativa do DF. A medida é criticada por transferir recursos públicos ao setor privado, enquanto a infraestrutura própria da UnDF enfrenta carências estruturais.
O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) também investiga a retenção de mais de R$ 219 milhões que deveriam ter sido repassados ao fundo da universidade entre 2022 e 2025. Professores ainda denunciam que a carreira do magistério superior no DF está entre as mais desvalorizadas do país, com salários inferiores aos pagos por instituições estaduais e federais.
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