Os Estados Unidos recomendaram, nesta sexta-feira (27), a saída de funcionários não essenciais do governo de sua embaixada em Israel, em meio a ameaças de um ataque estadunidense ao Irã que fazem temer uma explosão de violência regional. O Reino Unido também informou, nesta sexta-feira, que tinha trasladado parte de seu pessoal diplomático e familiares de Tel Aviv para outro local do país.
Já a chancelaria alemã desaconselhou “urgentemente” nesta sexta-feira as viagens de seus cidadãos a Israel e a China instou seus cidadãos nesta sexta-feira a saírem do Irã “o mais rápido possível”.
Os anúncios ocorrem um dia após uma terceira rodada de negociações entre Irã e EUA sob mediação de Omã, considerada uma última tentativa de evitar uma guerra. Também nesta sexta, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter se frustrado com as negociações.
Washington alega querer impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, um temor das potências ocidentais, negado repetidamente por Teerã. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, viajará na segunda-feira a Israel para conversas com as autoridades sobre as “prioridades regionais”, incluindo o Irã.
O jornal O jornal New York Times informou que o embaixador estadunidense em Israel, Mike Huckabee, enviou um e-mail ao pessoal da embaixada afirmando que aqueles que desejassem partir deveriam “fazê-lo hoje”.
Trump e Irã
Em 19 de fevereiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu um ultimato de “10 a 15 dias” para decidir se era possível chegar a um acordo ou se recorreria à força.
“Não estou feliz com o fato de que eles não querem nos dar o que precisamos ter. Então, não estou entusiasmado”, disse Trump a jornalistas um dia depois de representantes dos Estados Unidos e do Irã terem se reunido em negociações em Genebra.
“Ainda não tomamos uma decisão definitiva”, acrescentou, quando perguntado sobre o uso da força.
“Não estamos precisamente satisfeitos com a forma como negociaram. Não podem ter armas nucleares, e não nos entusiasma a forma como estão negociando”, disse. “Não queremos armas nucleares por parte do Irã e não estão dizendo essas palavras de ouro”.
Ao ser perguntado se um ataque desencadearia uma guerra total no Oriente Médio, Trump respondeu: “Suponho que sempre se poderia dizer que existe um risco. Quando há guerra, tudo tem um risco, tanto bom quanto mau”.
O presidente se mostrou cauteloso sobre uma possível “mudança de regime” no Irã resultante da guerra.
“Ninguém sabe. Poderia ocorrer e poderia não ocorrer”, comentou.
Em seu primeiro mandato, Trump abandonou o acordo nuclear negociado por seu antecessor, Barack Obama, sob o qual o Irã aceitou limites estritos ao enriquecimento de urânio.
Em uma conversa telefônica com seu homólogo egípcio, Badr Abdelatty, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, pediu a Washington que abandone as “exigências excessivas” para alcançar um acordo.
Araghchi disse que “o sucesso neste caminho exige seriedade e realismo da outra parte, além de evitar qualquer erro de cálculo e exigências excessivas”.
O chefe da diplomacia iraniana não especificou a que demandas se referia, mas suas palavras atenuaram o otimismo anunciado na véspera, após a rodada de negociações em Genebra.

