EUA tentarão usar catástrofe na Venezuela para aumentar sua influência no país, avalia internacionalista

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A presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, decretou estado de emergência pouco tempo depois que dois terremotos de forte intensidade atingiram o país e deixaram quase 200 mortos, milhares de feridos e desaparecidos. Os serviços não essenciais e as aulas foram suspensas até segunda ordem. Há problemas com fornecimento de energia em diversos locais do país

No final da tarde desta quinta-feira (25), o presidente Lula (PT) falou por telefone com Rodríguez e anunciou que vai enviar hospital de campanha para atender as vítimas.

Dos Estados Unidos, o presidente Nicolás Maduro — que, ao lado de sua esposa Cília Flores, segue sequestrado desde janeiro — manifestou solidariedade ao seu povo em uma mensagem divulgada em suas redes sociais, dizendo que o país “passa por provações”.

A analista internacional Amanda Hamury defende que, assim como o Brasil, países precisam se mobilizar para construir conjuntamente uma ajuda humanitária. Ela vê com desconfiança a forma como os EUA estão tentando se colocar como protagonistas desse processo.

“Desde o dia 3 de janeiro, já temos uma intervenção direta dos Estados Unidos. Nós seguimos com um governo liderado por Delcy, que era vice-presidenta do presidente Maduro, que hoje se encontra sequestrado nos Estados Unidos. Essa narrativa de que os Estados Unidos cooperam e ajudam de forma humanitária hoje se intensifica por uma questão extraordinária. Afinal, é um terremoto, é uma questão de calamidade pública, não estava previsto. Então, os Estados Unidos estão ocupando esse espaço de parceiro e aprofundando a sua presença na Venezuela”, alerta em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato.

Para Harumy, esse contexto reforça uma situação que vem se arrastando desde o início do ano: os EUA impuseram sua força no território, reprimindo, inclusive, forças populares. “É um governo sequestrado. Os posicionamentos políticos da Venezuela, que sempre demarcavam o caráter anti-imperialista, denúncias à intervenção dos Estados Unidos na América Latina e na Venezuela, hoje são suaves, são amigáveis, diplomáticos em relação à intervenção dos Estados Unidos, que nós sabemos que é uma intervenção que tem um interesse direto nas riquezas da Venezuela, principalmente no petróleo”, reforça.

“A situação da Venezuela atual já era muito difícil. Hoje eles estão em um estado de emergência para salvar as pessoas perante esse desastre. Lembro mais uma vez: os Estados Unidos estão utilizando esse momento, essa brecha, a partir de uma ajuda humanitária para adentrar e ter mais influência sobre a Venezuela. Destaco também que a Venezuela foi muito isolada internacionalmente”, afirma.

Amanda Harumy avalia também que a Venezuela tem um alto grau de capacidade de se auto-organizar “a partir das comunas, a partir das milícias cívicas“. Acredito que esse movimento venezuelano de irmandade, de solidariedade dos povos, vai ser muito presente hoje, que a gente está vendo uma operação muito triste de resgate, não só o resgate das pessoas, mas de desabrigados. Os próprios edifícios hoje já não são mais viáveis para a moradia.”

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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