O governo dos Estados Unidos anunciou as primeiras sanções financeiras contra integrantes e empresas supostamente ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) desde que a facção, ao lado do Comando Vermelho (CV), passou a ser enquadrada pelas autoridades estadunidenses como organização terrorista.
Em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fatoo analista internacional Gustavo Menon, docente do Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (Prolam-USP) e da Universidade Católica de Brasília (UCB), observa que o anúncio representa a intensificação do cerco promovido pela Casa Branca a toda a América Latina.
“Estamos falando de um pretexto dos EUA nos termos de potencializar essa política unilateral e de ingerência que afeta uma série de medidas que estão colocadas na realidade brasileira e de outros países da América Latina”, afirma.
“De fato, estamos observando mais uma iniciativa não só de ingerência, mas de um avançar do imperialismo estadunidense, que, na correlação de forças da América do Sul, tem estado muito próximo ao trumpismo”, destaca Menon, ao mencionar as eleições recentes do Peru, que deram vitória a Keiko Fujimori, e da Colômbia, com Abellardo de la Espriella, somado a outras gestões como a do argentino Javier Milei e a de Daniel Noboa, no Equador.
“São governos convergentes com a agenda de Trump — que, vale lembrar, revisitou sua política de defesa e de segurança no sentido de compreender a América Latina e o Caribe como uma região histórica de sua influência. O escudo das Américas é um exemplo disso“, afirma.
Menon aponta que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, tem se comportado como “um xerife hemisférico” ao desacreditar as instituições latino-americanas.
“É preciso combater essas facções, obviamente, mas sem abrir mão da nossa soberania e da nossa atuação integrada entre os próprios países da América do Sul”, afirma o especialista sobre as organizações criminosas.
Nesse sentido, o analista elogiou a postura e o discurso do presidente Lula durante a 68ª Cúpula do Mercosul no Paraguai. “Lula foi taxativo no sentido de defender o combate a essas violências, essa desigualdade em suas múltiplas dimensões a partir da atuação de inteligência, como combater o crime organizado no andar de cima no sentido de asfixiar o braço financeiro dessas organizações”, defende.
Gustavo Menon avalia que a revisão da política de defesa realizada pelos EUA na transição de 2025 para 2026 só serviu para intensificar o cerco aos países latino-americanos. “O episódio das facções é a evolução desse cerco como política externa dos EUA, que tenta frear governos progressistas no sentido de não promover esse alinhamento automático”, avalia. “Não se pode combater o crime promovendo outros crimes.”
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