Exposição Atlântico Sertão, no CCBB São Paulo, retrata o sertão por meio da arte contemporânea

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O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em São Paulo apresenta, de 15 de abril a 3 de agosto de 2026, a exposição Atlântico Sertão. O projeto ocupa todos os andares do edifício e traz obras de mais de 70 artistas de diferentes regiões do Brasil, com foco em produções do Norte e Nordeste.

A organização da mostra fundamenta-se em seis eixos que abordam temas como ancestralidade, ecologia, espiritualidade e as conexões históricas entre o Brasil e o continente africano.

A curadoria é composta por Marcelo Campos, Ariana Nuala, Amanda Rezende, Jean Carlos Azuos, Rita Vênus e Thayná Trindade. O conceito da exposição baseia-se em pesquisas de Marina Maciel, idealizadora do projeto, que utiliza a premissa de que o sertão constitui uma construção simbólica e humana.

As obras expostas incluem pinturas, esculturas, fotografias e instalações. Entre os itens apresentados está uma estrutura digital da artista biarritzzz no andar térreo, que utiliza telas dispostas em formato triangular.

Sobre essa obra, o curador Marcelo Campos apontou a Agência Brasil que o formato estabelece um diálogo entre o instrumento musical característico do forró e as sonoridades provenientes do deserto africano. “O triângulo é um dos instrumentos musicais para os trios de forró e sertanejos. Mas é também um triângulo que junta a gente às sonoridades do deserto africano”, destacou.

Os núcleos curatoriais envolvem os temas Sertão Atlântico que estabelece a relação intrínseca entre o sertão e o oceano Atlântico, explorando as heranças indígenas, africanas e populares que se entrelaçam nessa paisagem cultural. As Cosmologias em Movimentoque destaca as práticas espirituais como elementos fundamentais na organização da vida e na interpretação do mundo, revelando a profundidade das cosmologias presentes no sertão.

As ecologias ancestrais e futuros da terra, que apresenta o sertão como um vasto campo de conhecimento ancestral, capaz de resistir a influências externas e de projetar novas possibilidades de continuidade e resiliência.

Moara Tupinambá, 2021 | Sikié
Sikié, 2021, de Moara Tupinambá | Crédito: Reprodução/CCBB

Na seção Comunidade, Retomada e Sertões Negrosa dimensão coletiva da vida no sertão é enfatizada, evidenciando modos de existência baseados na partilha, na oralidade e na preservação da memória, especialmente nas comunidades negras.

O eixo Arquivos Vivos, Grafias e Inscrições da Terra propõe uma visão do sertão como um sistema dinâmico de registro, onde as inscrições ancestrais dialogam com as tecnologias contemporâneas, criando novas formas de arquivo e documentação.

E por fim, a parte Sertão atlântico, travessias e poeiras que vêm do Saara amplia a perspectiva ao conectar o Brasil e a África, revelando as relações geológicas, históricas e culturais que unem os dois continentes. Este núcleo destaca os fluxos de pessoas e saberes que atravessam o Atlântico, reforçando a ideia de que o sertão é um território de circulação e permanência, onde diferentes tempos e geografias se encontram em constante diálogo.

Artistas participantes:

Abiniel João Nascimento (PE), Adenor Gondim (BA), Alessandro Fracta (AM), Aline Motta (RJ), Amanda Melo (PE), Amilton (AL), Ana Neves (PE), Ana V. Lopes (RJ), André Vargas (RJ), Antonio Obá (DF), Antônio Sandes (AL), Aura do Nascimento (PE), Ayrson Heráclito (BA), biarritzzz (PE), Dalton Paula (DF), Denilson Baniwa (AM), Eliana Amorim (PE), Fykyá Pankararu (PE), Genauro (AL), George Teles (BA), Gervane de Paula (MT), Gilson Plano (GO), Gonçalves (AL), Gustavo Caboco (PR), J. Cunha (BA), Jaime Lauriano (SP), Jonas Van (CE) / Juno B (CE), Joaci do Pandeiro (AL), Joaci Lima (AL), José Alves (PE), José Cícero (AL), José Rufino (PB), Juraci Dórea (BA), Juniara (PE), Leonardo França (BA), Lidia Lisbôa (PR), Lita Cerqueira (BA), Lucélia Maciel (BA), Luiz Barroso (PB), Maria Lira Marques (MG), Maria Macêdo (CE), Maré de Matos (MG), Marlene Almeida (PB), Marcos da Matta (BA), Márvila Araújo (BA), Mayra Carvalho (RJ), Mestre Benon (AL), Mitsy Queiroz (PE), Moara Tupinambá (PA), Mônica Barbosa (PI), Nádia Taquary (BA), Naywá Moura (PI), Rafa Bqueer (PA), Rafael Chavez (RN), Rebeca Miguel (MG), rOnA (RJ), Rodrigo Braga (AM), Rose Afefé (BA) / Bysmarke Vaqueiro (BA), Rosana Paulino (SP), SouPixo (CE), Tainan Cabral (RJ), Thaís Iroko (RJ), Thiago Costa (PB), Trojany (CE), Tunga (PE), Ventura Profana (BA), Véio (SE), William Maia (RJ), Wisrah Villefort (MG), Xamânica (RJ) / Tayná Uràz (RJ), Yacunã Tuxá (BA), Yhuri Cruz (RJ), Zé di Cabeça (BA), Ziel Karapotó (AL), Zumví Arquivo Afro Fotográfico (BA), Àwon arákùnrin onísé-onà méta (BA).

A visitação ocorre de quarta a segunda-feira, das 9h às 20h, com entrada gratuita mediante retirada de ingressos. A programação inclui atividades educativas e debates sobre direitos humanos e a regulamentação da profissão de artista visual.

Após o período em São Paulo, a mostra tem previsão de seguir para as unidades do CCBB em Salvador, em setembro de 2026, e Brasília, no início de 2027. Mais informações sobre a mostra podem ser obtidas no site da mostra.

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