Princesa Isabel celebra a obra e o legado de Canhoto da Paraíba entre os dias 19 e 21 de março de 2026, durante o festival que marca os 100 anos do violonista Francisco Soares, com shows, oficinas e rodas de choro.

Aqui está a frase corrigida de forma mais clara e jornalística:
Raphael Bezerra, Secretário de Cultura, aproveita para reafirmar a importância da Paraíba na produção da música instrumental do país e convida a todos a participarem do festival.
“Atenção, fazedores de cultura, artistas e toda a sociedade, especialmente os amantes da música e da arte em geral! Gostaria de convidá-los, de 19 a 21 de março, na Rua Chico Soares, na Praça Frei Damião, para um grande festival que comemora uma data mágica: os 100 anos do grande Canhoto da Paraíba, o ilustre princesence, um dos maiores músicos do nosso Brasil. Todos estão convidados a prestigiar conosco este belo trabalho, que está sendo realizado com muita dedicação e envolvendo toda a classe artística juntamente com o poder público. Venham participar!”
A programação do festival inclui apresentações musicais, oficinas e rodas de choro, promovendo encontros entre músicos de diferentes gerações e fortalecendo a formação artística local. As atividades incentivam a interação entre jovens instrumentistas e músicos experientes, ao mesmo tempo em que fortalecem a cena musical da cidade.
Legado musical e reconhecimento nacional
Canhoto da Paraíba ficou conhecido por tocar violão “pelo avesso”, invertendo a posição tradicional do instrumento e criando um estilo único. A música do artista foi marcada pelo virtuosismo, criatividade e pela forte ligação com o Choro e a Música Popular Brasileira. Ao longo de sua carreira, colaborou com grandes nomes como Paulinho da Viola e Raphael Rabello, ampliando seu reconhecimento dentro e fora do Brasil.

Prestígio do grande artista
O historiador Emannuel Arruda ressaltou a importância cultural e o impacto regional da iniciativa:
“Este festival abre as portas para a revalorização da cultura de nossa cidade através do nome de Canhoto, conhecido e reconhecido nacionalmente. Ele traz de volta a importância de Princesa no cenário cultural regional, reunindo participações de instituições e artistas locais e nacionais. É fundamental que todos participem e compreendam a relevância deste festival para a cultura de Princesa.”
José Pereira Lima Neto, do Memorial Pereira Lima, reforçou a dimensão histórica da homenagem:
“Quero expressar minha grande satisfação em estar presente neste dia. Como tenho dito, é inimaginável que, em um registro como o do centenário de Canhoto, um patrimônio de todos nós, não tivéssemos esta homenagem. Princesinha é uma figura essencial na história de nossa cidade, e este momento é uma forma de demonstrar nossa gratidão por tudo que ele representa e por ter feito parte da história, tornando-se parte permanente da memória de Princesa.”
Rubens Stanislaw, professor de música, destacou o caráter de celebração do evento e convidou a comunidade a participar: “O lançamento de hoje marca o início deste grande evento, que acontecerá de 19 a 21 de março: o Festival Canhoto da Paraíba – 100 anos de história. Todos estão convidados a prestigiar este grande artista, Princesinha, que nos deixou em 2008, mas que agora completa 100 anos no dia 19 de março. Durante o festival, vários artistas que tocaram com Canhoto prestarão homenagem a ele, celebrando um dos maiores artistas da Paraíba.”
A trajetória de Francisco Soares, o Canhoto da Paraíba
Francisco Soares de Araújo nasceu em 19 de março de 1926, em Princesa Isabel, na Rua Coronel Antonio Pessoa, hoje conhecida como Rua Músico Chico Soares. Filho de Antonio Soares de Araújo e Quitéria Lopes de Araújo, cresceu em um ambiente musical, com pai e avô músicos, irmãos tocando instrumentos e constantes serenatas em sua casa. Aos 12 anos ganhou seu primeiro violão, adaptando-se como canhoto e desenvolvendo a técnica que o tornaria único: tocar o braço do violão no ombro direito.
A carreira de Chico Soares começou em rádios locais, como Voz de Princesa e Ibiapina, e expandiu-se para Recife e Rio de Janeiro, onde se destacou no cenário do choro ao lado de músicos renomados, como Paulinho da Viola e Raphael Rabello. Segundo Hermínio de Carvalho, produtor musical, “Chico revelou-se um mestre na arte da composição e um virtuose do seu violão canhestro”.
O violonista teve discos lançados entre 1968 e 1994, incluindo Único Amor, Um Violão Direito nas Mãos do Canhoto e Pisando em Brasa, e participou de shows, tournées e gravações ao lado de artistas como Sivuca e Luperce Miranda. Entre 1990 e 1994, com apoio do Banco do Brasil, apresentou-se em mais de 50 cidades da Paraíba e até em Portugal.
Em 2004, o Governo da Paraíba criou o Registro dos Mestres das Artes (REMA), conhecido como Lei Canhoto da Paraíba, que concede benefícios mensais a artistas de reconhecido valor. A cerimônia marcou a inclusão de Chico Soares entre os primeiros agraciados e homenageou formalmente sua trajetória.
O legado de Canhoto também é reconhecido por grandes nomes da música brasileira. Segundo o site Casa do Choro, Paulinho da Viola dedicou ao violonista o choro “Abraçando Chico Soares”demonstrando a admiração pelo talento e pela técnica do filho de Princesa Isabel. Relatos históricos indicam que Canhoto causou grande impacto entre músicos consagrados no Rio de Janeiro, incluindo Jacob do Bandolim, que destacou sua importância e habilidade única no violão. Documentos mostram que ele foi reverenciado por pares do choro e do samba por sua inovação e virtuosismo, consolidando-se como referência da música instrumental brasileira, entre eles Baden Powell e Luiz Gonzaga.
Legado cultural e homenagens póstumas
Chico Soares faleceu em 24 de abril de 2008, em Paulista, Pernambuco, sendo posteriormente transladado para Princesa Isabel, onde seu mausoléu em forma de violão estilizado tornou-se referência da cidade. A memória do artista é celebrada anualmente no Dia do Artista Princesense, criado em 2009, e por troféus de Honra ao Mérito Artístico e Cultural. Em 2010, o CD Saudades de Princesa reuniu músicas de Chico interpretadas pelo Trio de Câmara Brasileiro.

Apoio institucional e realização
O Festival Canhoto da Paraíba conta com o patrocínio do Governo da Paraíba, da Prefeitura e da Secretaria de Cultura de Princesa Isabel, além do Banco do Nordeste. A realização é feita em parceria com a Academia Princesense de Letras e Artes, o Coletivo Sansaruê e o Centro Cultural César Silva. Detalhes sobre programação, horários e artistas participantes podem ser conferidos no perfil oficial do evento @festival.canhotodaparaiba.

