Festival da Fronteira anuncia filmes concorrentes a prêmio da Assembleia do RS

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No início da tarde desta quarta-feira (25), o XVII Festival de Cinema da Fronteira anunciou os filmes selecionados para suas três mostras competitivas, em evento realizado no Salão Julio de Castilhos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul (AL/RS) – que neste ano é correalizadora do evento, junto à Prefeitura Municipal de Bagé, através de sua Secretaria Municipal de Cultura, e à Associação Pró-Santa Thereza.

Na ocasião, com a presença da equipe do evento, da Casa do Povo, da imprensa, de autoridades e realizadores e críticos convidados, foi celebrada a novidade desta edição, que é o Prêmio São Sebastião – Assembleia Legislativa de Cinema, fruto de um termo de cooperação entre as instituições. Serão entregues R$ 15 mil em dinheiro aos vencedores das principais categorias – R$ 10 mil para melhor longa-metragem e R$ 2,5 mil tanto para o melhor curta, quanto para o melhor curta de animação.

O pastor Sergio Peres (Republicanos), à frente da atual gestão da presidência da AL/RS, fez questão de contar que morou em Bagé por quatro anos, em três vezes, períodos que classificou como inesquecíveis: “É uma honra poder descentralizar o prêmio, estar junto e premiar talentos. É muito importante valorar. A Fronteira Metade Sul é, muitas vezes, esquecida, e é uma região que faz a diferença. Contem conosco, com a Assembleia”. As tratativas do Secretário de Cultura de Bagé e idealizador do festival, Zeca Brito, com a Casa do Povo, se iniciaram no ano passado, ainda durante a presidência do deputado Pepe Vargas (PT).

As inscrições, que se encerraram em 10 de março, eram voltadas para filmes falados originalmente em português ou espanhol ou legendados em um desses dois idiomas, de contextos de culturas ibero-americanas e oriundos de países de língua portuguesa, língua espanhola ou idiomas originários e finalizados a partir de 1º de janeiro de 2024. Os títulos deveriam ser produzidos em regiões de fronteira ou que abordassem temáticas relacionadas a fronteiras geográficas, geopolíticas e sociais, bem como a fronteiras ou rupturas de linguagem.

O Prêmio São Sebastião – Assembleia Legislativa de Cinema nasce com o objetivo fomentar, reconhecer e difundir a produção audiovisual latino-americana, nacional e internacional, com especial atenção às cinematografias produzidas em territórios de fronteira, promovendo o intercâmbio cultural, a diversidade estética e o fortalecimento do cinema enquanto expressão artística, cultural e política.

Brito ressaltou a internacionalização e que, hoje, o evento realizado em Bagé é o único festival de cinema do Estado voltado à cultura latino-americana. O agitador cultural agradeceu a todos os parlamentares que entenderam o significado desse momento histórico.

Curadores Roger Lerina e Fatimarlei Lunardelli na Cerimônia de divulgação dos filmes selecionados para o XVII Festival Internacional de Cinema da Fronteira – Fotos: Marcelo Oliveira / ALRS

A diretoria do Instituto Estadual de Cinema, Sofia Ferreira, complementou que a visão do órgão é a de que os festivais são peça-chave da cadeia do audiovisual, pois são a primeira janela de diálogo do filme com a sociedade civil, para promover o ponto de encontro das obras: “Celebramos a Assembleia em mais um festival de cinema do Estado (o outro é Gramado), isso é uma grande vitória do Rio Grande do Sul”.

O vice-prefeito de Bagé, presente no lançamento da premiação na AL/RS, manifestou satisfação pelo feito e pela evolução da iniciativa: “Estou impressionado com o tamanho que este evento tomou”.

A lista dos selecionados pela curadoria para o certame está reproduzida abaixo e também disponível nos canais online da iniciativa: festivaldafronteira.com.br e @festivaldafronteira. O evento acontece de 28 de abril a 2 de maio nas cidades gaúchas de Bagé e Sant’Ana do Livramento.

Os nomes femininos chamam a atenção na relação dos títulos eleitos para a competição, nas três mostras. Mas, entre os longas, ocorre realmente um fato de grande atenção: das 10 produções internacionais e brasileiras, oito têm assinatura de realizadoras mulheres. Fatimarlei Lunardelli chamou a atenção para este feito, durante o anúncio, assegurando que elas inscreveram e apresentaram “filmes incríveis”. Roger Lerina concordou que a grande presença feminina foi, realmente, uma tônica orgânica desta edição.

O XVII Festival Internacional de Cinema da Fronteira é uma realização da Associação Pró Santa Thereza, Prefeitura Municipal de Bagé, através da Secretaria Municipal de Cultura, e Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. A produção é da Maristela Ribeiro Produções. O evento tem apoio da ACCIRS – Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul, Centro Universitário da Região da Campanha (Urcamp), institucional do Instituto Estadual de Cinema (Iecine-RS); Instituto Federal Sul Rio-grandense (IFSul) e Universidade Federal do Pampa (Unipampa).

Uma das principais parceiras do evento desde o início, a URCAMP foi representada pelo seu reitor, o professor doutor Guilherme Cassão Marques Bragança: “É o evento mais relevante do nosso cenário cultural, que promove a integração de territórios. Transcende a exibição cinematográfica, com reflexão e intercâmbio das várias identidades. É uma iniciativa que promove a Fronteira não como limite, mas como ponto de encontro”.

Confira todos os títulos selecionados:

Competitiva Internacional de Longas-Metragens

Aqui Não Entra Luzde Karol Maia (Documentário, Brasil)

Anjosde Paula Markovitch (Ficção, México/Argentina)

Cartas para…de Vânia Lima (Documentário, Brasil)

Cielo de Alberto Sciamma (Ficção, Bolívia)

Duas Vezes João Liberadade Paula Tomás Marques (Ficção, Portugal)

Futuro Futurode Davi Pretto (Ficção, Brasil)

Nada a Fazerde Leandra Leal (Documentário, Brasil)

Nossa Terrade Lucrecia Martel (Documentário, Argentina)

Um futuro brilhantede Lucía Garibaldi (Ficção, Uruguai)

Queimadura chinesade Verônica Perrotta (Ficção, Uruguai)

Competitiva Internacional de Curtas-Metragens

Biblioteca Jorge Furtadode Glênio Póvoas e Luiz Alberto Cassol (Brasil)

Cabeça, Ombro, Joelho e Péo Van Van (Brasil)

Coisas que Meu Pai me Deude David Selva, Victor Oliver e Yifan Wen (Brasil/Costa Rica/Portugal)

Do Caldeirão da Santa Cruz do Desertode Weyna Macedo, Lucas Parente, Adeciany Castro e Mariana Smith (Brasil)

Entrevista com Fantasmasde Lincoln Péricles (Brasil)

Pin de filmesde María Rojas Arias e Andrés Jurado (Colômbia/Portugal)

Nossa sombrade Agustina Sánchez Gavier (Argentina)

Pasta Pretade Jorge Thielen Armand (Canadá/Colômbia/Itália/Venezuela)

Pedra-marde Janaína Lacerda (Brasil)

Estou com saudades de você Perdulariade Manu Zilveti (Cuba)

Competitiva Internacional de Curtas de Animação

Depois de mimThe Flood, de Max Shoham (Canadá)

A Menina e o Potede Valentina Homem e Tati Bond (Brasil)

Apocalipsede Nicolás Sanabria, Emmanuel Alcalá e Andrés Llanezas (Argentina)

Duwid Tuminikiz – Makunaima é Duwid?de Gustavo Caboco Wapixana (Brasil)

Marimbã está Acontecendode Maryn Marynho (Brasil)

Ovelha – Lobode Polina Safina (Rússia)

Abrigode Chiara Vincenti Zakhia (Itália/Líbano)

Posições de corpos socialmente aprovadas no espaçode Lera Oleynikova (Rússia)

A entrada fica lápor Haoyu Chen (China)

Um corpo sem cavalo?de Lara Fuke (Bélgica/Brasil/Finlândia/Portugal)

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