Entre os dias 5 e 15 de março, será realizada, em Belo Horizonte, a segunda edição do FAFAN Festival de Arte Fancha, evento que reúne espetáculos, saraus, oficinas, lançamentos literários, shows e mostras audiovisuais protagonizadas por artistas LGBTI+. Com entrada gratuita, a programação ocorre na Funarte MG e busca celebrar o corpo dissidente como território de memória, criação e resistência.
A entrada é garantida mediante retirada de ingressos através da plataforma Sympla. A programação completa pode ser conferida no Instagram @fanchecleticas e no site das Fanchecléticas www.fanchecleticas.com/fafan.
Idealizado pela Coletiva Fanchecléticas e pela Associação Artes Sapas, o festival retorna com o conceito “Colheita”, que orienta a curadoria e simboliza o amadurecimento de processos artísticos e políticos gestados ao longo dos últimos anos. A proposta é transformar a capital mineira em um espaço de encontro entre diferentes linguagens e experiências artísticas.
O chamamento público realizado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 recebeu 85 propostas de pessoas trans e mulheres lésbicas, bissexuais ou pansexuais de Belo Horizonte e região metropolitana.
A ideia da programação é incentivar que o público circule por diferentes atividades ao longo do dia, criando um ambiente de convivência e troca entre artistas e espectadores.
“Queremos criar um clima de festival em que as pessoas participem de mais de um dia, façam oficinas e estabeleçam novas conexões”, diz Bezamat.
Música, teatro e literatura na programação
A abertura do festival acontece nesta quarta-feira (5), de 18h30 às 21h30, com o Sarau Fancheclético, seguido do show Forró Torto, que revisita o repertório tradicional nordestino a partir de uma formação composta exclusivamente por mulheres cis e pessoas não binárias.
Entre os destaques da programação musical está a apresentação da artista experimental Yukáh, no dia 7, que comemora sete anos de carreira com um show que mistura música, poesia e teatralidade. Outro momento aguardado é o espetáculo Interioranas, encontro entre o canto da cantora e compositora Luiza da Iola e a poesia da escritora Nívea Sabino.
As artes cênicas também ocupam espaço central no festival. Entre as montagens apresentadas está “assuviá pra chamar o vento”, da Breve Cia., dirigida por Amora Tito, que aborda temas como infância, masculinidade e afetos. Outra obra da programação é “(En)tupir: Jequitinhonha”, do Grupo NaLama, que mistura música ao vivo e referências da cultura popular para discutir memória e resistência feminina.
O festival também contará com a apresentação “A terra dá, a terra quer – Mini Ball”, da House of Juicy Brasil, inspirada nos pensamentos do intelectual quilombola Nego Bispo, além do espetáculo “Expedição Reversa”, da própria Coletiva Fanchecléticas, que encerra a programação no dia 15 de março.
Oficinas e formação artística
Além das apresentações, o FAFAN promove atividades formativas. Entre elas está a oficina “DJs – Do Plantio à Colheita”, organizada pela Coletiva NBAILE, voltada à presença de pessoas trans e não binárias na música eletrônica.
Também fazem parte da programação a oficina Brincadeiras de Terreiro, ministrada pela arte-educadora quilombola Jocasta Roque, e o Mergulho Drag Cuir, conduzido pelo artista Eli Nunes, que explora diferentes formas de expressão drag por meio da maquiagem e da performance.
No campo literário, o festival marca ainda o lançamento da Editora Artes Sapas, com apresentação dos livros “Tia Nina Sapatão”, de Nádia Fonseca, e “O sumiço da cigarra”, de Mari Moreira.
Cinema e encontros poéticos
O audiovisual também integra a programação, com a exibição de oito obras. Entre elas está o documentário “Marlene Silva dança o mundo”, dirigido por Elaine do Carmo, que celebra o legado da bailarina mineira Marlene Silva. Outro destaque é “A Fabulosa Nickary Aycker”, de jomaka, que retrata a trajetória de uma mulher travesti preta e periférica.
Já na literatura e na poesia, o público poderá participar do Sarau Avoa Amor, conduzido pelas poetas Thamara Selva e Joi Gonçalves, além do Sarau Erótico, organizado pela Transmutar-se Coletiva.

