Neste domingo (26), o Cinema São Luiz recebe uma exibição especial do documentário Alafín Oyó: resistência cultural e luta antirracistalonga-metragem que celebra os 40 anos do grupo olindense de afoxé Alafín Oyó, destacando sua trajetória de valorização da cultura afro-brasileira. A sessão tem início às 16h30, com entrada gratuita e retirada de ingressos na bilheteria uma hora antes da sessão. Após o filme, o público pode participar do debate com os realizadores, ampliando a reflexão sobre memória, identidade e luta antirracista. O cinema fica no centro do Recife, na esquina da rua da Aurora com a avenida Conde da Boa Vista.
Com duração de 1 hora e 20 minutos, o filme é dirigido por Luciano Calello e David Guillén e mergulha na história do Alafin Oyó, ressaltando seu papel na preservação de saberes ancestrais e da cultural negra em Pernambuco. O documentário convida o público a reconhecer as manifestações culturais como forma de resistência, pontuando a importância de manter vivas as histórias e contribuições dos mestres e mestras da cultura popular. O filme foi realizado com financiamento pela Lei Paulo Gustavo.
Com quatro décadas de vida, o Alafin reafirma seu lugar como expressão potentes da cultura negra pernambucana e brasileira, articulando música, dança, espiritualidade, política e educação para além do Carnaval. Fundado em 1986, em Olinda, o grupo tem sua trajetória marcada pelo enfrentamento ao racismo, pela valorização das heranças africanas e pela formação de gerações a partir de uma perspectiva afrocentrada.
Em entrevista ao Conversa Bem Viver, programa do Brasil de Fatoa liderança Fabiano Santos define o afoxé como um território vivo de produção de conhecimento. “É uma ligação direta com o continente africano, mas ressignificada a partir do nosso território, da nossa nova África, que é o Brasil”, afirma. Segundo ele, essa conexão atravessa dimensões culturais, espirituais e políticas, mantendo diálogo com países africanos e reforçando elementos comuns, como a religiosidade e as formas de resistência histórica.
Na mesma entrevista, realizada por Aline Macedo e Daniel Lamir, a liderança destaca que o Alafin sempre atuou integrando cultura, política e economia, participando de debates desde a Constituição, até a criação de iniciativas de sustentabilidade para famílias negras. Fabiano também enfatiza o papel educativo do grupo ao longo dos anos. “Desde o início, o Alafín Oyó fez dos ensaios de domingo espaços de formação afrocentrada. As pessoas iam para dançar, cantar, confraternizar e acabavam sendo formadas politicamente”, explica, ressaltando as atuais oficinas culturais e acompanhamento pedagógico de jovens.

