Fiocruz e movimentos populares se unem para montar comitês de luta ambiental nas periferias do Grande Recife

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Na manhã desta quinta-feira (27), o Instituto Aggeu Magalhães, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco, recebeu o evento de lançamento do projeto “Mudanças Climáticas, Saúde e Alimentação: Rede de Comitês Populares Ambientais”. A previsão é criar 400 comitês, inicialmente nos estados de Pernambuco e Paraíba, envolvendo 800 agentes. Nos comitês serão debatidas questões ambientais da vida nas comunidades e realizadas atividades práticas semanais.

As atividades nos comitês devem passar por temas como saneamento, plantio adequado de árvores, racismo ambiental, cuidado com animais e outras instâncias de impacto socioambiental nos territórios. Viabilizado pela Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, o projeto é coordenado pela Fiocruz e operacionalizado pela campanha Mãos Solidárias, tendo a Universidade de Pernambuco (UPE) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) como parceiras.

O projeto dos comitês, com a participação do Ministério da Saúde e da Fiocruz, traz um novo momento para o trabalho do Mãos Solidárias, desenvolvido nas periferias desde a pandemia da covid-19, por meio da participação popular no combate à fome e pela saúde pública. Para Idê Gurgel, do departamento de Saúde Coletiva da Fiocruz, o projeto é mais uma das concretizações da missão do órgão em fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da integração entre gestão pública e as organizações sociais para que seus trabalhos cheguem na ponta da população.

“Estamos trazendo uma contribuição para o SUS na medida em que qualificamos os territórios, ao mesmo tempo em que compreendemos como essas mudanças climáticas os atingem, em especial, os territórios periféricos. A Fiocruz é um catalisador e mobilizador de pessoas, colocando a academia, as gestões, os movimentos sociais juntos, discutindo, debatendo e encontrando soluções para enfrentar as mudanças climáticas”, afirma Idê Gurgel, em conversa com o Brasil de Fato.

Lívia Milena, representante do Ministério da Saúde, acredita que o lançamento do projeto marca um início de um processo de acúmulo de saberes horizontal em prol da saúde pública e do meio ambiente, com a capilarização das ações potencializadas pela aliança entre poder público e sociedade civil. Para Lívia, tratam-se de iniciativas que agem diretamente na prevenção dos males que atingem as periferias do país.

“Não podemos esperar que os desastres ambientais ocorram para que a gente cuide das pessoas adoecidas em consequência disso. São ações que nos permitem uma prevenção, a partir de tecnologias sociais e saberes populares, desses desastres. Nossa expectativa é de que essa agenda de hoje inaugure um processo de aprendizado coletivo entre instituições, população e movimentos sociais. E que isso se espalhe pelo Brasil todo”, afirma Livia Milena.

Na prática, o lançamento dos comitês reforça o trabalho dos agentes populares nas periferias, que já vem sendo desenvolvido no escopo do Mãos Solidárias desde 2020, levando também a educação ambiental e ações nos territórios periféricos para transformar esses espaços, os primeiros impactados pelas mudanças climáticas do planeta.

“É um projeto muito importante para debater o espaço de vida do povo dentro das periferias, analisando o racismo ambiental, fazendo interferências para mitigar o impacto das próprias barreiras, debatendo saneamento, o cuidado com os animais, o plantio de árvores adequadas. Tentar criar um ambiente mais adequado para o povo viver dentro daquela lógica do Mãos Solidárias, que é o povo cuidando do povo, em defesa da vida do planeta”, afirma Paulo Mansan, coordenador do Mãos Solidárias.

Também estiveram presentes Paulette Cavalcanti e Naíde Teodódio, representando a Fiocruz Pernambuco; Adelaide Suely, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS); Gabriella Barreto, da UFPB; Débora Amaral, da Secretaria de Saúde do Recife; e os deputados Rosa Amorim (PT-PE), Luiz Couto (PT-PB) e a vereadora Eugênia Lima (PT-PE), de Olinda.

Tiago Calmon/Mandato Eugênia Lima

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