Fraude, fé e futebol | Brasil de Fato

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Casteladas, a coluna de aforismos e pensamentos, traz o gênero literário conhecido por ser o oposto do calhamaço. A frase curta – ou o fragmento – de alegria instantânea, a serviço do humor.

§ “Bom dia, pessoal da produtora Go Up. Somos a empresa que alugou os equipamentos cinematográficos para o filme Dark Horse. Durante as filmagens ficamos responsáveis pelas câmeras, tripés, iluminação e outros equipamentos de captação. Havíamos combinado que o recebimento de nossos honorários aconteceria 30 dias após a data do encerramento das filmagens. Sucede que, já se passaram 90 dias e não recebemos nem o cachê, nem os equipamentos. Nosso representante foi até o endereço mencionado no contrato e no local há uma igreja pentecostal.

O pastor, muito gentil, informou que nunca ouviu falar em produtora alguma, embora tenha admitido que, desde janeiro, os cultos estejam com uma incrível iluminação. Disse também que os fiéis andavam emocionados com os closes dramáticos durante os testemunhos. Um irmão teria recebido o Espírito Santo em travelling lateral.

Nos fundos do templo, o representante reconheceu um de nossos refletores servindo de apoio para um vaso de samambaia. Já a câmera principal estaria “em missão”. Não ficou claro se em missão religiosa ou rodando o Dark Horse 2.

Tentamos contato com o diretor. Descobrimos que ele agora atende pelo nome de Profeta Spielberg. O produtor executivo sumiu. Há rumores de que fugiu para o Texas levando duas lentes Leica e um drone.

Por favor, façam contato, vamos negociar. A essa altura, estamos aceitando até pagamento em dízimo.”

§ Uma das maiores críticas à Seleção Brasileira é que ainda não sabemos quem são os laterais. Ora, se já temos um jogador que precisa estar no time (ou a mídia derruba o mister), por que não usar Neymar nessa porção do gramado?

A solução é pragmática. Ele já passa boa parte dos jogos caindo pelos lados, então seria apenas uma questão de formalizar a posição.

Há precedentes históricos para essa sabedoria. Os romanos, quando não sabiam o que fazer com um senador inconveniente, o mandavam para a Gália. O Brasil, com sua generosidade tropical, poderia mandar o incômodo para a beirada do campo. Diferença de latitude, mesma lógica administrativa.

Os patrocinadores, sem dúvida, ficariam contentes: Ney como titular, contratos honrados. Carletto ficaria satisfeito: o problema resolvido sem drama, como convém a um senhor de sua idade. O torcedor, esse ser que sofre independente do que aconteça, continuaria penando. Mas com o conforto de ver uma camisa 10 em destaque, mesmo atuando na defesa.

Todos ganhariam. Inclusive, o atacante do time adversário que, vindo pela lateral, colocaria o Menino Ney na vertical e faria gol. Bingo! (ou melhor, BET).

* Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

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