A trajetória de Frei Sérgio Görgen e o compromisso com a organização da classe trabalhadora e a luta camponesa foram destaques do ato político de homenagem realizado na noite desta segunda-feira (11) em Brasília, durante a feira camponesa organizada pelo Movimento de Pequenos Agricultores (MPA).
Frei Sérgio morreu no dia 3 de fevereiro aos 70 anos e era uma das principais lideranças do campesinato no país. A homenagem reuniu familiares, militantes históricos, lideranças populares e representantes de movimentos populares para relembrar a trajetória do religioso.
“Frei Sérgio foi incansável, e alguém teria dito que ele morreu de tanto viver. Viveu tanto doando a sua própria vida dia e noite. Dá para dizer que ele acabou tendo uma morte em paz”, destacou o Frei Wilson Zanatta.
Emocionada, a irmã caçula do líder religioso, Elizete Martins, compartilhou lembranças da convivência familiar e destacou o compromisso do frei com a luta contra a fome e as desigualdades sociais. “Ele dizia: ‘Eu não aguento mais enterrar criança que morreu de fome. Eu tenho que lutar para que isso não aconteça mais’”, relembrou.
“Sigam, por favor, continuem plantando essa semente que ele deixou para todos nós. Nunca será em vão a semente que ele deixou”, destacou Elizete Martins.

Durante os depoimentos, participantes ressaltaram a coerência política e o modo simples de vida do religioso, associado à tradição franciscana e à Teologia da Libertação. Liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile destacou que Frei Sérgio era um exemplo de militante dedicado ao estudo e ao conhecimento científico para interpretar a realidade. Reforçou ainda que o franciscano foi o primeiro a lutar contra os transgênicos no Brasil, denunciando os impactos ambientais e sociais do modelo do agronegócio.
“Ele era um homem de coragem, que não tinha medo de enfrentar os poderosos, as injustiças. E talvez tenha sido na história do Brasil o personagem da luta social que mais tenha defendido e utilizado a greve de fome como uma arma contra os poderosos. Quantos de nós têm coragem de arriscar a própria vida? E sempre por razões nobres”, relembrou Stedile. O dirigente reforçou também o papel do frei na criação de diversos movimentos populares do país, como o MST, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), além da criação do próprio MPA, em 1995.
“Frei Sérgio zelava pela organização do povo e tinha claro que só o povo organizado pode conquistar mudanças sociais”, destacou.

‘Grande profeta’
Secretário nacional de Economia Popular e Solidária do Ministério do Trabalho, Gilberto Carvalho também participou da homenagem e definiu Frei Sérgio como “um grande profeta”.
“A história do povo de Deus está marcada por profetas que nos iluminaram. Eu não tenho dúvida nenhuma de que o Frei Sérgio é um desses grandes profetas, e a história vai fazer justiça e mostrar isso. O Frei Sérgio era, acima de tudo, paixão, luta e coerência”, reforçou.
Carvalho também falou sobre o ano eleitoral desafiador e destacou o exemplo de Frei Sérgio. “Vamos guardar a herança dele e não vamos perder um minuto. Vamos dar nossa energia, como ele fez, para que a gente devolva para o nosso povo a esperança, a dignidade, porque foi para isso que ele plantou a sua semente, se tornou essa semente que brota”, disse.

4º Encontro Nacional
O 4º Encontro Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) iniciou nesta segunda-feira (11) e reúne cerca de 1.200 camponeses e camponesas de 20 estados brasileiros para marcar os 30 anos de trajetória do movimento.
Com o tema “30 anos de luta e afirmação camponesa, construindo soberania alimentar e nacional”, o encontro segue até quinta-feira (14) debatendo estratégias para enfrentar a fome, a crise climática e o avanço do agronegócio sobre os territórios camponeses. A programação também inclui mesas sobre feminismo camponês, diversidade, abastecimento popular e articulações internacionais.
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