Da periferia de Salvador (BA) para o Tiny Desk Brasil, o cantor, compositor e instrumentista Giovani Cidreira lança seu novo disco “Coração Disparado”, segundo ele, um reencontro com quem um dia ele foi. Gravado na Casa de Francisca, em São Paulo (SP), o álbum traz Cidreira com voz e violão.
Em conversa com Thiago França no podcast Sabe Som?Cidreira conta que o processo do novo trabalho se deu no sentido contrário do que se costuma fazer. E a tônica dessa decisão foi o potencial desafio que se apresentava. “Geralmente se você grava um disco de estúdio, pensa nas músicas. Depois você entra na estrada e começa a tocar. E eu pensei que seria interessante fazer o contrário. Primeiro, porque eu gosto de fazer coisas que sempre me colocam em dificuldade. Quanto mais difícil, quanto mais elementos pra darem merda, aí eu faço”, diverte-se. “Eu gosto exatamente desse caminho. Eu gosto sempre de colocar meu corpo na fogueira. Então pensei: ‘Pô, vou gravar músicas novas, mas ao vivo, com o público vendo.”
Giovanni Cidreira recorda seu começo com uma banda de rock em Salvador. “A gente era muito punk, na verdade. A gente era pessoa de periferia. Depois dessa banda, eu já comecei a treinar sozinho. E aí comecei a jogar mas não era propriamente voz e violão, na realidade eu sempre estive acompanhado de banda, de figuras. Mesmo meu disco ‘Japanese Food’, tá ali, é um disco de MPB, eu acho, mas tem uma instrumentação, tem guitarra, tem baixo, aquela coisa dos anos 70, muita coisa, informação, eu adoro aquele negócio. Mas a minha música, eu acho que tava muito claro que a estrutura dela era feita a partir do violão. Pelo menos pessoalmente eu sabia disso, eu sei disso”, avalia.
Ele também enfatiza a importância de circular por cidades menores e manter uma postura de “guerrilha artística” para garantir a conexão direta com o público, sem se tornar dependente dos interesse da indústria fonográfica. “Eu acho que é um momento de guerrilha mesmo, de todo mundo ir pra rua e abrir suas garagens. Tipo assim, quando não existia nada, o lugar onde não vai existir nada, a gente vai fazer alguma coisa com isso aqui. Abrir, chamar as pessoas, fazer reunião mesmo, conversar sobre isso. Saber como é que a gente vai começar, continuar, lançar nossas músicas, sem depender de plataforma sacana, entendeu? Sem depender, sem precisar roubar ninguém”, afirma Cidreira.
Ó podcast Sabe Som? vai ao ar toda sexta-feira às 15h e está disponível nas principais plataformas de áudio, como Spotify e YouTube Music.
Ouça o episódio 111 na íntegra abaixo:

