Governo Lula articula reação a novo tarifaço de Trump contra produtos brasileiros

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Representantes do governo Lula se reúnem nesta terça-feira (2) para tratar dos efeitos da nova onda de tarifaço imposta pela gestão de Donald Trump, presidente do Estados Unidos. O encontro foi convocado pela vice-presidência, sob a batuta de Geraldo Alckmin (PSB), para entender os caminhos que podem e os que não pode ser negociados.

Segundo apurou o Brasil de Fatoalém de Alckmin, participam da reunião os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias, e representantes do corpo técnico do Itamaraty.

A reunião inicia-se menos de um dia depois que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu a investigação comercial aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio estadunidense e recomendou a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções para alguns itens como carnes, minerais e café.

À reportagem, um interlocutor palaciano avaliou como “absurda” a aplicação dessas novas taxas pela administração trumpista e sinalizou que “há caminhos possíveis” para encontrar uma solução menos danosa. Segundo o auxiliar, embora infortuna, essa nova “sanção” tem um impacto menor que o tarifaço de 2025.

Práticas ‘irrazoáveis’

O governo dos Estados Unidos anunciou, na segunda-feira (1º), a conclusão da investigação comercial aberta contra o Brasil em 2025 e propôs a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida ainda depende da decisão do presidente Donald Trump.

A investigação foi conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que concluiu que políticas e práticas adotadas pelo Brasil seriam “irrazoáveis” e estariam restringindo ou onerando empresas estadunidenses. O órgão informou que abrirá uma consulta pública antes da publicação do relatório definitivo, prevista para 15 de julho.

“Os Estados Unidos continuam a manter negociações intensas com o Brasil em busca de uma solução para as preocupações estadunidenses”, afirmou o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, em comunicado. Segundo ele, apesar de reuniões consideradas construtivas entre autoridades dos dois países, permanecem “divergências substanciais” sobre os temas investigados.

Durigan vai aos EUA

Também na segunda (1º), antes da divulgação do relatório do USTR, o presidente Lula se reuniu com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e determinou que fossem avaliados os potenciais impactos de medidas adotadas por Washington sobre empresas e instituições financeiras brasileiras.

A preocupação do governo ganhou força após a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Segundo Durigan, o objetivo é evitar que empresas, bancos e setores produtivos brasileiros sejam afetados por medidas que extrapolem o combate ao crime organizado.

“O que vier do exterior para colaborar no combate ao crime organizado, ótimo. O que não pode é quando quer atrapalhar”, afirmou o ministro. Ele também disse que pretende dialogar com autoridades do país estadunidense, incluindo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, assim que o governo concluir uma avaliação mais detalhada dos possíveis impactos das decisões de Washington.

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