Governo não enxergou o jogo que enfrentaria no Congresso, diz especialista

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria subestimado os adversários que enfrentaria no Congresso Nacional, segundo avaliação do especialista em política Rafael Favetti, sócio da Fatto Inteligência Política. Em entrevista ao Guerra Mundial desta sexta-feira (1º), Favetti analisou a sequência de derrotas sofridas pelo Executivo no Legislativo, apontando falhas na leitura do cenário político.

Para o analista, o governo entrou em campo com excesso de confiança após algumas vitórias recentes, o que teria comprometido sua capacidade de antecipar os movimentos do Congresso. “Me parece que o governo não enxergou muito bem o jogo, ou pelo menos os adversários que ia enfrentar”, afirmou Favetti.

O analista traçou um panorama das derrotas recentes do governo, relacionando-as a um momento de euforia que teria se instalado após conquistas anteriores.

“Desde que Odair Cunha (PT-MG) conseguiu a façanha histórica de ser indicado ao TCU, é a primeira vez que um petista é indicado pela Câmara, e a liberação das emendas, me parece que ali o governo deu um respiro. Você tinha um quadro colocado de que o jogo estava muito bom para o governo”, destacou Favetti.

Em seguida, porém, o Executivo sofreu revezes significativos. Favetti mencionou a derrota na questão da dosimetria, que, segundo ele, “já estava mais do que contratada”, e o resultado da votação envolvendo Jorge Messias, indicado para o Supremo Tribunal Federal.

“A derrota do Messias era do jogo, mas o placar foi um balde de água fria no governo”, disse o especialista, acrescentando que Zé Guimarães, novo ministro das Relações Institucionais, “sofreu uma derrota no principal jogo do seu campeonato”.

O fatiamento do veto

Um dos pontos centrais apontado por Favetti foi a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de fracionar a votação da queda do veto presidencial. Segundo Favetti, esse procedimento abre espaço para que o governo recorra ao Judiciário.

“O fatiamento da queda do veto feito por uma decisão da mesa do Congresso, feita por Davi Alcolumbre, é também algo inédito”, destacou o especialista.

O veto de Lula era total e envolvia duas matérias de natureza distinta: a Lei Antifacção, que endureceu regras sobre progressão de regime para presos, e a Lei da Dosimetria, que, segundo Favetti, “de certa forma, volta atrás”. Essa dicotomia teria motivado Alcolumbre a selecionar apenas parte do veto para votação, gerando indignação na base de apoio do governo.

Favetti avaliou que Lula provavelmente não cumprirá o prazo de 48 horas para promulgar a lei, deixando essa responsabilidade ao Senado. “Se ele promulgar, retira, de certa forma, pelo menos no plano político, essa indignação da sua base de apoio com essa questão”, explicou.

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