Os trabalhadores concursados da educação da rede municipal de Belo Horizonte decidiram, em assembleia realizada nesta segunda-feira (27), manter a greve da categoria. A paralisação, aprovada por ampla maioria, é apresentada pelos profissionais como resposta ao que classificam como um “apagão na educação”, marcado pela precarização das condições de trabalho e pela falta de diálogo com a gestão municipal.
A partir desta semana, os educadores passam a intensificar as mobilizações fora das escolas, com atividades nas ruas e nas comunidades. Logo após a assembleia, a categoria realizou um ato até a sede da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), onde dialogou com a população e denunciou os impactos das políticas educacionais em curso.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede/BH), a greve ocorre em meio a problemas estruturais persistentes. Entre eles estão a sobrecarga de trabalho, turmas sem professores, improvisos na gestão escolar e medidas que, de acordo com a entidade, aprofundam a precarização, como a substituição de docentes por monitores e estagiários na educação infantil.
A categoria também denuncia um processo de privatização do atendimento educacional especializado. De acordo com o sindicato, a transferência de atribuições pedagógicas para organizações da sociedade civil (OSCs) retira das escolas e dos professores concursados a responsabilidade sobre esse trabalho.
Outro ponto central da mobilização é a campanha salarial de 2026, que reivindica valorização profissional, cumprimento da Lei do Piso e melhores condições para garantir a qualidade do ensino público.
Falta de profissionais e cortes de recursos
Os problemas relatados vão além da questão salarial. As escolas enfrentam déficit de professores, assistentes administrativos e bibliotecários, mesmo com concursos vigentes. A nomeação recente de cerca de 400 docentes é considerada insuficiente para atender à demanda.
Direções escolares também denunciam cortes entre 25% e 50% nas verbas de manutenção, o que compromete o funcionamento básico das unidades, além da redução na distribuição de kits escolares.
Educação infantil e atendimento especializado sob críticas
Na educação infantil, mudanças na organização pedagógica preocupam os trabalhadores. A possibilidade de atividades conduzidas por profissionais sem formação docente é apontada como um risco à qualidade do ensino e um sinal de desvalorização da carreira.
Já no atendimento a estudantes com deficiência, a categoria critica a transição do serviço para OSCs, o que, segundo o sindicato, configura terceirização de funções que deveriam ser exercidas por professores concursados.
Problemas com terceirização e serviços básicos
A troca de empresas terceirizadas responsáveis por serviços como cantina e portaria também gerou instabilidade nas escolas. Há relatos de trabalhadores sem pagamento, sem vale-transporte e até ausência de profissionais, obrigando equipes gestoras a assumir funções emergenciais.
Além disso, propostas da Secretaria Municipal de Educação que vinculam bonificações ao desempenho das escolas são alvo de críticas. Para os trabalhadores, a medida pode aprofundar desigualdades, penalizando unidades situadas em regiões mais vulneráveis.
Próximos passos
A categoria organizou uma agenda contínua de mobilizações ao longo dos próximos dias, incluindo manifestações, panfletagens e participação no ato do Dia do Trabalhador, em 1º de maio.
Uma nova assembleia está marcada para o dia 5 de maio, na Praça da Estação, considerada decisiva para os rumos do movimento.
Os trabalhadores afirmam que a greve será mantida até que haja negociação efetiva com a prefeitura e respostas concretas às reivindicações. Para a categoria, a defesa da educação pública passa, necessariamente, pela valorização dos profissionais e pela garantia de condições dignas de ensino e aprendizagem.
Outro lado
Em nota divulgada à imprensa, a PBH afirma que a greve ocorre apesar de um acordo firmado com a categoria no ano passado, que prevê, entre outros pontos, a recomposição salarial pela inflação em 2026. A gestão destaca ainda que, desde o início deste ano, tem mantido reuniões com representantes sindicais para apurar as demandas e que já implementou medidas voltadas à valorização dos profissionais da educação.

