A guerra desencadeada pela agressão deEstados Unidos e Israel contra o Irã completa um mês neste sábado (28) consolidando um cenário de catástrofe humanitária e instabilidade global. O que a Casa Branca desenhou como uma “operação cirúrgica” para decapitar o governo persa transformou-se em um conflito de desgaste que já vitimou cerca de 37 mil pessoas, entre mortos e feridos. A desproporcionalidade da força é evidente: 73% das vítimas estão em solo iraniano.
O Crescente Vermelho e autoridades locais confirmam que a ofensiva não poupou civis. Em 30 dias, 1.943 iranianos foram assassinados, outros 1.118 libaneses tiveram o mesmo destino na guerra. No lado oposto, morreram 13 estadunidenses e 23 israelenses.
Ao todo, mais de 60 mil estruturas foram atingidas, incluindo 241 unidades de saúde e milhares de residências. Enquanto Washington fala em “eliminar ameaças”, o que se vê no terreno é o bombardeio sistemático de cidades e a morte de mais de 200 crianças iranianas.
A escalada da violência no Oriente Médio, capitaneada por EUA e Israel, seguiu um roteiro de provocações e respostas violentas desde 28 de fevereiro, quando a dupla lançou centenas de toneladas de bombas sobre Teerã, matando o líder supremo Ali Khamenei e parte da cúpula do governo. Em retaliação, o Irã iniciou ofensiva contra bases estadunidenses e o território israelense.
O impacto econômico é a face mais visíveis da crise para o restante do mundo, com o preço do barril de petróleo saltando de US$ 70 para US$ 110. O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, que reduziu o tráfego de navios em 97%, provou ser uma arma geopolítica letal, encarecendo alimentos e fertilizantes em todo o globo e ameaçando inclusive a infraestrutura digital de cabos submarinos no Golfo Pérsico.
A ascensão de Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, ao poder incomodou Washington, que não previa que o Irã mantivesse a mesma linha política no poder. Embora o presidente Donald Trump tenha classificado a sucessão como um “grande erro” e tentado intervir no processo ao declarar a liderança de Mojtaba como “inaceitável”, o conselho iraniano sinalizou uma continuidade férrea das políticas de defesa contra a interferência externa.
No campo de batalha, a agressão se expandiu para o Líbano, onde as mortes já passam de 1.100 pessoas, incluindo centenas de crianças. O custo militar desta incursão também começa a pesar sobre os agressores: o Exército dos Estados Unidos confirmou a perda de pelo menos 13 militares em combate e acidentes operacionais, enquanto o Irã denuncia o assassinato de pelo menos 16 autoridades do alto escalão.
As idas e vindas de Trump
Diferente do que a propaganda trumpista previa, o Irã demonstrou que sua geografia e sua defesa foram subestimadas. O governo republicano agora alterna o discurso entre ameaças de invasão terrestre e “chances” para que o Irã “implore” por paz.
As consequências da guerra provocada pelos EUA e Israel isolou Washington de seus aliados históricos na Europa, que se recusam a enviar tropas para uma guerra vista como perigosa para a estabilidade da Otan.
A paralisia diplomática é agravada pela estratégia de Trump de enviar planos de paz enquanto mantém bombardeios ativos, uma ambiguidade que Teerã ignora sistematicamente. Ao deslocar sistemas de defesa aérea da Ásia para o Oriente Médio, o governo estadunidense também gerou mal-estar com nações aliadas no Pacífico, expondo a fragilidade de sua estratégia de segurança global.

