O embaixador russo em Estocolmo, Sergey Belyaev, declarou nesta terça-feira (10) que os russos que estavam a bordo do Caffa, um navio cargueiro detido pelas autoridades suecas, permanecem dentro da embarcação.
A embarcação com cidadãos russos havia sido detida em 6 de março sob a bandeira da Guiné pelo Estreito do Mar Báltico, em águas territoriais da Suécia.
A Embaixada da Rússia em Estocolmo esclareceu que dez dos 11 tripulantes do navio são cidadãos russos. O capitão do navio está em prisão preventiva em Malmö, na Suécia, desde 7 de março.
“Os demais tripulantes permanecem a bordo”, disse o embaixador em um comunicado à mídia russa.
As autoridades locais suspeitam que a embarcação pertença à “frota paralela” da Rússia, usada para contornar sanções ocidentais que restringem embarcações russas. De acordo com o ministro da Defesa Civil da Suécia, Carl-Oskar Bohlin, o navio cargueiro Caffa está sujeito a sanções ucranianas.
“A embarcação está na lista de sanções da Ucrânia, a estrutura de propriedade não está clara e há suspeita de que não esteja segurada. Neste verão, a embarcação teria mudado sua bandeira de russa para guineense”, declarou o ministro.
O ministro da Defesa Civil da Suécia acrescentou que a investigação deve determinar se a embarcação atende aos requisitos para navegação em águas suecas.
Para contornar as sanções ocidentais que atingem o trânsito de mercadorias russas pelos mares internacionais, o país passou a utilizar cada vez mais embarcações de outros países não inclusos nas restrições. Esta “frota paralela” da Rússia consiste principalmente em embarcações mais antigas que operam fora dos sistemas de seguro e registro ocidentais.
Em maio de 2025, as autoridades suecas anunciaram que reforçariam as verificações de seguro em embarcações estrangeiras devido à “frota paralela” da Rússia. A partir de 1º de julho, a Guarda Costeira Sueca e a Administração Marítima Sueca foram autorizadas a coletar informações de seguro não apenas de embarcações que atracam em portos suecos, mas também daquelas que transitam pelas águas territoriais e pela zona econômica exclusiva do país.
Estimativas dão conta que a “frota paralela” da Rússia é composta por aproximadamente 1.500 petroleiros que utilizam bandeiras falsas para contornar as sanções ocidentais. Mais de 600 deles estão sujeitos a restrições da UE, do Reino Unido e dos EUA.

