Dizemos que era ou época é um período histórico de acontecimentos notáveis e mudanças significativas.
Desde 1850, nenhum produto ou tecnologia teve tanta influência em nossas vidas como o petróleo, constituindo parte da história universal. O seu consumo foi fortemente impulsionado pela produção em série de carros movidos a petróleo. O petróleo, então já muito demandado e poderoso, superou industrial e comercialmente os veículos elétricos, já existentes desde 1830, mais eficientes, silenciosos e não poluidores.
Somente a disponibilização de alternativas renováveis reduzirão o uso do petróleo
Desde a produção em série dos carros movidos a combustíveis fósseis, na média do tempo, o consumo do petróleo nunca deixou de crescer, e assim deve continuar segundo projeções das agências internacionais de energia até 1930. A sua substituição ocorrerá na medida que forem produzidas e usadas alternativas renováveis, em especial os veículos elétricos, que agora retornarão pelas suas qualidades já citadas, devendo ser uma das marcas de uma nova época, que necessariamente precisa estancar a emissão dos gases de efeito estufa – GEEs – e intensificar a recuperação da natureza.
Vamos liquidar em 200 anos o que a natureza trabalhou para produzir em mais de 120 milhões de anos.
Por hipótese, digamos que, mesmo reduzindo o uso do óleo diesel e da gasolina, chegarmos com este uso até 2050 (tomara que seja antes). Teremos, então em aproximadamente 200 anos queimado grande parte das reservas de petróleo que a natureza levou mais de 120 milhões de anos para produzir. Convenhamos, sabedores que somos da finitude de nosso planeta, isto não é nada razoável.
O petróleo continuará com outros usos importantes, porém com forte redução do seu consumo.
Durante esta era foi motivo de inúmeras guerras e teve alguma participação decisiva nas duas guerras mundiais e continua fortemente presente nas guerras atuais. Foi o elemento impulsionador da segunda revolução industrial, influenciou e influencia nossas vidas econômica e socialmente.
Sempre foi sinônimo de poder e dominação. Ter petróleo era e é ter poder.
A seguir tentaremos apresentar trechos relevantes desta era.
1 – Guerra Rússia x Ucrânia
Esta guerra já se prolonga desde 2022. Desde o início provocou alterações nos preços do petróleo e gás natural, este importante produto faz parte dos “hidrocarbonetos”, significa dizer, segue o preço do petróleo. A Rússia é um dos maiores produtores e fornecedores.
Somos ainda completamente dependentes do petróleo e gás natural, seus não fornecimentos tornam a vida mais cara no mundo
O valor do petróleo aumentou, retrocedendo aos valores de 2014. Com isto influiu na inflação mundial, inclusive para nós do Brasil.
A Europa posicionou-se contra a Rússia nesta guerra. Até então a Rússia era o maior fornecedor de gás natural à Europa, o que parou de fazer, aumentando a crise energética naquele continente, que teve que reorganizar sua estrutura energética.
A Rússia, por sua vez, passou a orientar suas exportações de gás natural e petróleo para a China e a Índia.
2 – Guerra EUA/Israel x Irã
Será que o negacionista e líder neofascista Trump pensa em consequências antes de tomar suas atitudes, que invariavelmente prejudicam o povo estadunidense e o mundo?
O fluxo de navios no Estreito de Ormuz influencia a economia mundial
Se pensa ou não, lamentavelmente pouco importa. O fato é que, os EUA, ao atacar seu inimigo histórico Irã, este usou o Estreito de Ormuz, localizado junto ao seu território, para contra-atacar. Israel consorciou-se na guerra, já que, historicamente, não perde oportunidade em atacar aos demais países do Oriente Médio para aumentar sua influência e, se possível, aumentar seu próprio território além do que possui, este concedido pela ONU.

Os EUA são o maior produtor de petróleo do mundo, porém ainda compram algo em torno de 8,0 milhões de barris/dia, já que consomem em torno de 20 milhões de barris/dia, o maior consumo do planeta, em aproximadamente um quinto de todo o petróleo. Compram petróleo de vários países, inclusive do Oriente Médio, também precisando do Estreito de Ormuz.
O Estreito de Ormuz possui apenas 167 km de extensão, com larguras variando entre 39 km e 97 km. Por ali passam nada menos de 20% de todo o petróleo produzido no mundo, inclusive da Arábia Saudita que é o segundo maior produtor e vende petróleos de muita qualidade.
Na medida que foi fechado afetou praticamente todos os países, seja com o óleo cru ou com seus derivados. Disparou os preços do petróleo e, consequentemente da inflação, que é ruim para todos, porém péssima para os pobres.
O Estreito de Ormuz não poderia estar sob o controle e dos interesses do Irã e dos EUA. Este é o típico papel a ser exercido pela ONU, de forma permanente, criada em 1947 para mediar os conflitos entre as nações e inclusive evitar as guerras. Completamente incapaz de exercer este papel.
3 – Que ironia: Um judeu ensinou Hitler como reduzir a dependência do Petróleo pela Alemanha.
Esta história precisa ser explicada.
Também precisamos falar da história do petróleo no Brasil. Na próxima edição, trataremos destas e outras histórias da era do petróleo.

