A inflação do mês de maio teve variação de 0,58%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira (12). Apesar da desaceleração, no acumulado dos últimos 12 meses ela chega a 4,72%, superando o teto da meta do governo federal.
Desde o início do ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve sucessivas altas: começou com aumento de 0,7%, em fevereiro, em março o registro foi de 0,88%, em abril desacelerou para 0,68% e chegou em maio à variação de 0,58%. O maior peso na rotina dos brasileiros é sentido no preço dos alimentos.
Em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de FatoJosé Luis Oreiro, professor do departamento de economia da Universidade de Brasília (UnB), destaca que a guerra, que provocou um encarecimento expressivo do petróleo, tem afetado os preços no Brasil. “A variação da inflação no ano de 2026 coincide exatamente com o conflito no Golfo Pérsico, com os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que reagiu fechando o Estreito de Ormuz”, lembra.
“Essa alta de inflação não está acontecendo apenas no Brasil, e isso precisa ficar claro. Está acontecendo no mundo, inclusive nos Estados Unidos. Quando aumenta o preço do petróleo, aumenta o preço da energia, aumenta o preço dos fertilizantes, porque muitos produtos usados nos fertilizantes são derivados de petróleo, e aí você aumenta o preço dos alimentos. Então, a inflação sobe”, destaca o economista.
“Até o início de 2025, ela vinha em uma trajetória de queda, sempre abaixo de 4%. A partir de fevereiro, mas com mais força em março e abril, a inflação no acumulado de 12 meses vai subindo mês a mês.”
Oreiro destaca que a economia brasileira não está crescendo muito e deve ficar em torno de 2%, ou seja, aquém dos anos anteriores. Mas isso, reforça, não é uma exclusividade do Brasil. “A inflação não está aumentando porque a economia está superaquecida. A inflação no Brasil e no resto do mundo está aumentando porque estão se defrontando com um choque de oferta desfavorável, com o aumento significativo na ordem de mais de 30% no preço do petróleo”, afirma.
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