Integrantes da flotilha acusam militares de Israel de abuso sexual durante interceptação

Publicada em

Membros da organização Global Sumud Flotilla acusaram militares de Israel de agressões sexuais e estupros durante a interceptação de embarcações que tentavam levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Segundo os ativistas, vários detidos foram hospitalizados após serem deportados para a Turquia e ao menos 15 casos de violência sexual foram relatados.

As forças israelenses detiveram mais de 400 pessoas que estavam a bordo de cerca de 50 embarcações em águas internacionais na terça-feira (19). Os ativistas afirmam que parte das agressões ocorreu ainda no mar e outra parte durante a prisão em Israel.

Em comunicado, o serviço prisional israelense negou as acusações. “São falsas e inteiramente sem base factual. Todos os prisioneiros e detidos são mantidos de acordo com a lei, com toda consideração pelos seus direitos básicos e sob a supervisão de equipe prisional treinada e profissional”, afirmou um porta-voz.

A organização afirma que uma das embarcações foi transformada em prisão improvisada com contêineres e arame farpado. Segundo o grupo, 12 das 15 agressões sexuais denunciadas ocorreram nesse barco. “Pelo menos 12 agressões sexuais foram documentadas somente naquela embarcação, incluindo estupro anal e penetração forçada com arma de fogo”, declarou a entidade.

O economista italiano Luca Poggi afirmou à Reuters que os detidos foram submetidos a violência física. “Fomos despidos, jogados no chão e chutados. Muitos de nós fomos atingidos por armas de choque, alguns sofreram agressão sexual e outros tiveram o acesso a um advogado negado”, disse.

A ativista francesa Mariem Hadjal relatou agressões durante a detenção. “Fomos levados contra a nossa vontade para essa embarcação militar israelense. Primeiro, tiraram nossas roupas quentes. Depois, fomos aglomerados em um hangar, um por um, onde fomos sujeitados a violência sexual e assédio físico. Eu fui alvo desse assédio e violência. Fui agredida, levei tapas, fui tocada, recebi joelhadas na costela, meu cabelo foi puxado”, afirmou à Reuters, ao retornar para a França.

Vídeos divulgados pela organização mostram integrantes da flotilha chegando à Turquia em macas e com hematomas pelo corpo. O francês Adrien Jouen publicou imagens nas redes sociais exibindo marcas nas costas e nos braços. Segundo os organizadores, há relatos de pessoas com ossos quebrados, ferimentos por balas de borracha e choques com tasers.

A francesa Sabrina Charik, que auxiliou no retorno de 37 cidadãos franceses, afirmou que cinco ativistas precisaram ser hospitalizados na Turquia com costelas quebradas e fraturas em vértebras. O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, disse que quatro espanhóis também receberam atendimento médico após serem deportados.

O ativista brasileiro Thiago Ávila afirmou que os detidos passaram por exames médicos na Turquia e que os relatórios devem ser enviados a tribunais internacionais, incluindo o Tribunal Penal Internacional. Ávila havia sido preso neste mês em outra missão da flotilha e, segundo a organização, também teria sofrido maus-tratos durante a detenção em Israel. O governo israelense negou as acusações.

As denúncias ampliaram a pressão internacional sobre Israel após o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, divulgar um vídeo em que aparecia ironizando ativistas amarrados e ajoelhados em uma prisão. A gravação provocou reação de governos europeus e levou o Itamaraty a convocar a representante da embaixada israelense no Brasil para prestar esclarecimentos.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores classificou o tratamento dado aos ativistas como “degradante e humilhante” e afirmou que a interceptação das embarcações em águas internacionais foi ilegal. O governo brasileiro também pediu a libertação dos quatro brasileiros detidos na operação.

O chanceler italiano, Antonio Tajani, afirmou que países da União Europeia discutem a possibilidade de impor sanções contra Ben-Gvir. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, já havia defendido medidas contra o ministro israelense no ano passado.

A França anunciou que o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, está proibido de entrar em território francês, segundo publicação em rede social do ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, neste sábado (23).

A Global Sumud Flotilla afirma que já denunciou casos semelhantes em outras interceptações. Em dezembro de 2025, uma jornalista alemã acusou militares israelenses de estupro após uma revista íntima. O jornalista italiano Vincenzo Fullone e o ativista australiano Surya McEwen também fizeram denúncias de violência sexual. Israel negou todas as acusações.

Source link