Durante o período de declaração do Imposto de Renda, muitos contribuintes se preocupam com a malha fina.
Além de impedir pendências com o Leão, revisar e informar corretamente todos os dados garante que a restituição seja calculada de forma precisa e fique mais próxima do valor real devido.
Para Eduardo Galvão, sócio do Granito Boneli Advogados, restituição elevada não é necessariamente vantagem. “Em muitos casos, ela revela que houve antecipação excessiva do imposto ao longo do ano”, afirma.
Na prática, isso significa entregar recursos ao Fisco antes do necessário e sem remuneração equivalente a de uma aplicação ordinária. A Receita Federal trata a restituição como devolução do que foi pago a mais, e não como um ganho novo.
O cenário mais eficiente é aquele em que o imposto devido se aproxima ao máximo do imposto recolhido durante o exercício.
Para chegar a esse equilíbrio, o uso correto das deduções é decisivo. “As contribuições ao PGBL podem ser deduzidas até 12% da renda tributável, enquanto o VGBL não oferece esse benefício”, explica Galvão.
É possível ainda destinar até 6% do imposto devido a fundos sociais diretamente na declaração, sem custo adicional.
Segundo o especialista, a escolha entre os modelos simplificado e completo também influencia o resultado.
O simplificado aplica desconto padrão de 20%, limitado a R$ 16.754,34; enquanto o completo tende a ser mais vantajoso para quem acumula despesas dedutíveis com saúde, educação e dependentes.
Nas despesas com educação, o limite anual é de R$ 3.561,50 por pessoa. Gastos com saúde não têm teto, mas exigem comprovação rigorosa. A Receita cruza essas informações com dados de planos de saúde e prestadores de serviços, e lança inconsistências em malha.
Entregar antes do prazo não aumenta o valor da restituição, mas melhora a posição na fila de pagamento. Em 2026, tem prioridade quem usa a declaração pré-preenchida e opta por restituição via Pix.
O prazo para declarações vai até 29 de maio, com o primeiro lote previsto para o mesmo dia.
O risco maior está em tratar a declaração como formalidade, alerta o sócio do Granito Boneli Advogados.
“O custo não costuma estar no preenchimento em si, mas na falsa sensação de que pequenos ajustes passarão despercebidos em um sistema hoje altamente parametrizado”, afirma.
Em 2026, o prazo para envio da declaração vai de 23 de março a 29 de maio.
A restituição será paga em quatro lotes, sendo o primeiro no final de maio. O Fisco estima que 80% dos contribuintes devem receber até o final de junho.
Veja o cronograma:
- Primeiro lote, em 29 de maio de 2026
- Segundo lote, em 30 de junho de 2026
- Terceiro lote, em 31 de julho de 2026
- Quarto lote, em 28 de agosto de 2026

