O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse à PBS News, nesta terça-feira (10), que conversar ou negociar com os EUA não está mais na agenda. Ele afirmou que, “apesar dos progressos feitos em rodadas anteriores de negociações, os EUA ainda optaram por atacar o Irã”.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, também rejeitou firmemente qualquer proposta de cessar-fogo com Estados Unidos e Israel, enfatizando a necessidade de confrontar os agressores para deter futuras ameaças contra o Irã.
“Certamente não estamos buscando um cessar-fogo; acreditamos que devemos atingir o agressor em cheio para que ele aprenda uma lição e nunca mais pense em agredir nosso querido Irã”, disse Qalibaf, segunda a agência de notícias Tasnim, do Irã.
Nesta terça, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou o lançamento da 37ª onda de mísseis e drones, em meio a relatos de que Tel Aviv foi atingida, deixando muitos feridos.
Ataques recentes do país persa contra radares dos EUA no Oriente Médio minaram parte da capacidade de rastreamento dos mísseis lançados nos ataques retaliatórios. Há relatos de radares atingidos no Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos, segundo análise de imagens de satélites e vídeos do jornal New York Times.
A Arábia Saudita relatou um intenso ataque de mísseis e drones, vindos do Irã. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, prometeu ao país um reforço na segurança. As Forças Armadas do Kuwait também anunciaram que seus sistemas de defesa aérea interceptaram uma série de drones hostis.
Israel e Estados Unidos seguiram atacando cidades iranianas durante todo o dia. Desde o início dos ataques de Israel e dos EUA, 12 mil pessoas foram feridas e 1255 morreram no Irã, incluindo as 175 pessoas mortas – a maioria meninas em idade escolar primária – no ataque a uma escola infantil em Minab, no sul do país.
Investigações independentes apontam que o ataque partiu do exército dos EUA, que ainda não se manifestou sobre o caso.
Falas de Trump
O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, chamou de vazio o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que disse que novos ataques dos EUA poderiam tornar “a reconstrução do Irã como Estado praticamente impossível”.
“O povo iraniano, no dia de Ashura, não teme suas ameaças. Aqueles maiores que vocês não conseguiram nos aniquilar. Cuidado, para que vocês não sejam os que perecerão”, respondeu Larijani. Ele garantiu que o país está preparado para uma guerra de longo prazo contra EUA e Israel.
Trump também voltou a ameaçar o Irã com ataques cada vez mais fortes e disse que as forças militares do país destruíram 10 barcos usados pelo país persa para lançar minas no mar.
O setor de inteligência dos Estados Unidos diz ter identificado sinais de que o Irã planeja instalar minas navais no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado no mundo. Estudo da ONU aponta que uma interdição do canal pode causar consequências graves na economia mundial, por conta do petróleo, mas também pelos fertilizantes que são transportados na região.
Irã cobra ONU
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, cobrou do secretário-geral da ONU, António Guterres, uma posição mais firme condenando a “agressão” dos Estados Unidos e de Israel contra o país persa.
Segundo a agência de notícias Tasnim, Araghchi e Gutierrez se falaram ao telefone, e ministro iraniano destacou o papel da ONU na manutenção da paz e enfatizou a séria expectativa do governo e do povo iranianos em relação ao secretário-geral e ao Conselho de Segurança da ONU para que “adotem posições mais firmes e responsáveis na condenação explícita da agressão”.

