Irã volta a negar conversas com Trump e diz que não fará acordo com os EUA

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Autoridades iranianas voltaram a negar qualquer diálogo com o governo dos Estados Unidos e afirmaram que não haverá acordo com o país em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. A posição contraria as declarações do presidente estadunidense Donald Trump sobre negociações em curso para encerrar a guerra iniciada por Israel e pelos EUA.

Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Quartel-General Khatam al-Anbia, afirmou que os Estados Unidos tentam apresentar o resultado do confronto como um acordo e disse que o Irã não aceitará negociar com um agressor. “Nosso primeiro e último posicionamento foi, é e continuará sendo que alguém como nós não fará acordo com alguém como vocês”, declarou. Segundo ele, não haverá retorno às condições anteriores enquanto persistirem ameaças contra o país.

O representante também afirmou que a estabilidade regional depende da ação das Forças Armadas iranianas e criticou a condução da política externa dos Estados Unidos. “Sua era de promessas chegou ao fim. Hoje, no mundo, existem duas frentes: a verdade e a mentira. E nenhum indivíduo que busca a liberdade se deixará influenciar pelas suas ondas midiáticas”, disse.

“O nível de seus conflitos internos chegou ao ponto de vocês negociarem entre si? ​​Não haverá notícias de seus investimentos na região, nem vocês verão os preços anteriores da energia e do petróleo, até que entendam: a estabilidade na região é garantida pela mão poderosa de nossas Forças Armadas”, acrescentou.

Zolfaghari destacou ainda que o Irã declara claramente que “enquanto nossa vontade não existir, nenhuma situação retornará ao estado anterior. Isso ocorrerá quando a ideia de agir contra a nação iraniana for completamente apagada de suas mentes imundas”.

A negativa foi reforçada pelo embaixador do Irã no Paquistão, Reza Amiri Moghadam, que afirmou que não houve negociações “diretas ou indiretas” entre os dois países. “Até agora não houve negociações, nem diretas nem indiretas”, declarou.

Enquanto isso, países atuam como intermediários em uma tentativa de abertura para conversas. Segundo fontes ouvidas pela Al Jazeerao Paquistão repassou ao Irã propostas de cessar-fogo apresentadas pelos Estados Unidos e aguarda resposta. A Turquia também informou que transmite mensagens entre Teerã e Washington com o objetivo de reduzir a tensão.

O conflito começou após ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultaram na morte do líder Ali Khamenei e de integrantes da cúpula militar em 28 de fevereiro. As ações incluíram bombardeios em diferentes regiões do país. Em resposta, forças iranianas lançaram mísseis e drones contra alvos ligados aos dois países.

Substituto de Ali Larijani

Nesta terça-feira (24), o governo iraniano nomeou Mohammad Bagher Zolghadr para chefiar o Conselho Supremo de Segurança Nacional, em substituição a Ali Larijani, morto em um ataque aéreo.

Zolghadr tem trajetória nas forças militares e ocupou cargos em estruturas de segurança e no Conselho de Discernimento. Segundo análise de jornalistas da Al Jazeeraa nomeação indica a ampliação do peso de setores militares na área de segurança nacional. Zolghadr também deve participar de decisões sobre eventuais negociações com os Estados Unidos, caso avancem.

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