Irã volta a rejeitar propostas ‘desproporcionais e excessivas’ dos EUA para encerrar guerra

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O Irã voltou a rejeitar a proposta dos Estados Unidos para encerrar a guerra e afirmou que não houve negociação direta entre os dois países. Ao mesmo tempo, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez novas ameaças contra alvos iranianos caso não haja acordo.

O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, afirmou, nesta segunda-feira (30), que as propostas enviadas por Washington são “fora da realidade, desproporcionais e excessivas” e disse que o país não participou de negociações diretas. Segundo Baghaei, houve apenas troca de mensagens por intermediários.

Baghaei também disse que o país não reconhece como confiáveis as declarações dos EUA e afirmou que a estratégia iraniana segue voltada à defesa enquanto houver ataques. Segundo ele, o Irã não deve agir com contenção sozinho e cobra o reconhecimento de quem iniciou a guerra.

“Não tivemos nenhuma negociação direta com os EUA até o momento. O que houve foram mensagens recebidas por meio de intermediários, indicando o interesse dos EUA em negociar. Não sei quantos, nos EUA, levam a sério a alegada diplomacia estadunidense! O Irã teve sua posição clara desde o início da guerra, ao contrário da outra parte. O que nos foi transmitido foram demandas excessivas e fora da realidade”, afirmou Baghaei.

Horas depois, Trump afirmou que pode atacar a infraestrutura iraniana caso não haja acordo. Em publicação nas redes sociais, o republicano disse que os EUA estão em negociações com um “novo e mais razoável regime” e ameaçou atingir usinas de energia, campos de petróleo e a ilha de Kharg se não houver cessar-fogo. “Grande progresso foi feito, mas, se por qualquer motivo um acordo não for alcançado em breve, encerraremos nossa permanência no Irã” com ataques a esses alvos, escreveu.

“Grande progresso foi feito, mas, se por qualquer motivo um acordo não for alcançado em breve — o que provavelmente acontecerá — e se o Estreito de Ormuz não for imediatamente ‘aberto para negócios’, encerraremos nossa ‘agradável’ permanência no Irã explodindo e obliterando completamente todas as suas usinas de geração de energia, poços de petróleo e a ilha de Kharg (e possivelmente todas as usinas de dessalinização!), que deliberadamente ainda não ‘tocamos’”, escreveu Trump.

“Isso será uma retaliação pelos muitos soldados e outros que o Irã massacrou e matou ao longo dos 47 anos de ‘reinado de terror’ do antigo regime”, afirmou em publicação na rede social Truth Social.

Apesar das ameaças, o presidente estadunidense afirmou, no domingo (29), que as negociações indiretas com Teerã estariam avançando, com intermediação do Paquistão, e que “um acordo pode ser feito rapidamente”. A fala contrasta com a posição iraniana, que nega qualquer avanço diplomático.

Ataques trocados

No campo militar, os ataques continuam. Ataques atribuídos a Estados Unidos e Israel atingiram uma planta petroquímica, a Universidade Tecnológica de Isfahan e parte da rede elétrica no Irã. Segundo autoridades iranianas, houve mortes em áreas próximas ao Estreito de Ormuz e danos a serviços básicos.

Em resposta, forças iranianas lançaram ataques contra bases dos EUA na região e alvos ligados a Israel. O Corpo da Guarda Revolucionária afirmou que as ações incluem ataques a instalações militares e industriais e que “eles continuarão” enquanto o país for alvo de ofensivas.

O grupo também informou operações contra bases militares no Iraque, Kuwait e Arábia Saudita, além de ataques a estruturas em territórios controlados por Israel. A defesa aérea iraniana afirma ter derrubado drones e atingido aeronaves inimigas desde o início do conflito.

Relatórios da imprensa estadunidense indicam que o Pentágono avalia operações terrestres limitadas, com possível envio de tropas para áreas próximas ao Estreito de Ormuz. Segundo autoridades dos EUA, ainda não há decisão final sobre a execução dessas ações.

Reação

Autoridades iranianas reagiram às ameaças. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que “nossos homens esperam a chegada de soldados americanos” e disse que o país seguirá respondendo militarmente. Já um porta-voz militar declarou que as ameaças dos EUA são “fantasiosas” e afirmou que as forças iranianas estão preparadas para enfrentar uma ofensiva.

O conflito entra no segundo mês sem sinal de acordo, com escalada de ataques e troca de ameaças entre os dois países.

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