Israel fez ataques aéreos em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, neste domingo (19). O ataque, que resultou em 11 mortes, ocorre no nono dia do acordo de cessar-fogo firmado por Israel e o Hamas. O governo israelense alega que integrantes do Hamas atiraram em soldados e decidiu retaliar o ocorrido. O Hamas informou, segundo o jornal O Guardiãoque desconhece ataques realizados na região e acusa Israel de não ter interrompido ataques na área.
A região está no foco de atenção, porque os palestinos pedem a abertura da passagem de Rafah, que liga Gaza ao Egito, a única passagem que se mantinha aberta para entrada e saída dos palestinos, e fechada em maio de 2024 pelas forças israelenses.
No sábado (18), a embaixada palestina no Egito anunciou que esta passagem seria reaberta para os palestinos que desejam retornar a Rafah na próxima segunda (20). No mesmo dia, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu negou a abertura até que um novo aviso seja dado. A reabertura facilitaria o retorno dos palestinos que desejassem, mas não seria aberta para aqueles que desejam deixar a faixa de Gaza para buscar auxílio médico ou refúgio.
O subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Tom Flechter, visitou a área no sábado (18) e postou um vídeo em sua conta do X afirmando que nada o havia preparado para Gaza: “A escala da destruição, a densidade das perdas, a resiliência silenciosa nos olhos das pessoas”.
Ele fez um apelo para que a se mantenha aberta a rota de ajuda humanitária. “Devemos isso àqueles que sofreram tanto para superar o ciclo de crueldade, terror e vingança”, escreveu. As agências da ONU pedem que Israel e Egito aumentem a ajuda humanitária para os palestinos, que ainda está aquém do previsto no cessar-fogo.
Cessar-fogo
O anúncio do cessar-fogo foi feito em 10 de outubro e levou à libertação de pelo menos 20 reféns israelenses e 2 mil presos e detidos palestinos sob custódia de Israel. Uma reportagem da agência alemã Onda alemã sobre quais os cuidados com as pessoas libertadas devem ser tomados, mostra que se trata de um processo longo e difícil.
Os especialistas ouvidos falaram da importância de um suporte financeiro de longo prazo para os libertados, em especial para os territórios palestinos, que dependem de recursos internacionais e consideram importante que a comunidade internacional apoie os centros que atuam nessa área.
*Com informações das agências internacionais AFP, DW e The Guardian

