A polícia israelense, juntamente com um representante do Patriarcado Latino de Jerusalém, anunciou acordo nesta segunda-feira (30) para permitir que grupos limitados de cristãos rezem na Igreja do Santo Sepulcro, na cidade disputada de Jerusalém. A medida foi anunciada após confusão no Domingo de Ramos, quando a polícia da ocupação ilegal israelense impediu a entrada de religiosos cristãos no local.
De acordo com o novo acordo, representantes da igreja poderão realizar cerimônias transmitidas, apenas, porque restrições a aglomerações públicas em tempos de guerra permanecem em vigor. Em declaração conjunta emitida pelo Patriarcado Latino de Jerusalém e pela Custódia da Terra Santa, as igrejas agradeceram ao presidente Isaac Herzog por sua intervenção e enfatizaram a necessidade de salvaguardar a liberdade de culto durante a guerra.
O Brasil e diversos países condenaram, no domingo (29), a ação da polícia de Israel que impediu o acesso de dois religiosos católicos à Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém Oriental. A polícia israelense declarou que os locais sagrados de Jerusalém estão fechados desde o início da guerra com o Irã.
O Patriarca Latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, e o Custódio da Terra Santa, Monsenhor Francesco Ielpo, celebrariam a missa de hoje, mas foram barrados no trajeto enquanto seguiam de forma privada, sem caráter de procissão, ao local onde os cristãos acreditam que Jesus foi crucificado e ressuscitou no terceiro dia.
O Santo Sepulcro é um dos lugares mais sagrados do cristianismo. O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa, quando Jesus voltou do deserto, e celebra a última entrada de Jesus em Jerusalém, onde foi recebido de modo triunfal por uma multidão poucos dias antes de sua crucificação e de sua ressurreição no Domingo de Páscoa, segundo os Evangelhos.
Críticas
Em nota à imprensa, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil lembrou que as restrições da polícia israelense vêm ocorrendo ao longo das últimas semanas e afetam também a Esplanada das Mesquitas, que recebe fiéis muçulmanos, durante o mês sagrado do Ramadã, marcado por jejum, orações e caridade.
O governo brasileiro recordou o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça de 19 de julho de 2024, que concluiu que a continuada presença de Israel no Território Palestino Ocupado é ilícita.
“Aquele país (Israel) não está habilitado a exercer soberania em nenhuma parte do Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental”, frisa a nota do Ministério das Relações Exteriores.
O Itamaraty classificou as ações recentes como de “extrema gravidade” e contrárias ao status quo histórico dos locais sagrados em Jerusalém e ao princípio da liberdade de culto.
Em seu perfil na rede social X, o presidente de governo da Espanha, Pedro Sánchez, expressou sua condenação por “este ataque injustificado à liberdade religiosa”. “Exigimos que Israel respeite a diversidade de credos e o direito internacional. Pois, sem tolerância, é impossível conviver”, acrescentou.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, também denunciou “uma ofensa não apenas aos fiéis, mas para qualquer comunidade que respeite a liberdade religiosa”, e o Ministério das Relações Exteriores do país anunciou que convocará o embaixador de Israel. Por sua vez, o presidente da França, Emmanuel Macron, condenou a decisão e afirmou que se soma a uma “preocupante multiplicação de violações do estatuto dos Lugares Sagrados de Jerusalém”.

